Oi diz que "tomará medidas" sobre investimento da Portugal Tel em Rio Forte

quinta-feira, 3 de julho de 2014 11:11 BRT
 

SÃO PAULO, 3 Jul (Reuters) - A operadora de telecomunicações Oi afirmou nesta quinta-feira que não foi informada pela Portugal Telecom sobre o investimento na dívida da Rio Forte Investiments, acrescentando que tomará medidas para defender seus interesses.

Em fato relevante, a Oi afirmou ter solicitado esclarecimentos adicionais à Portugal Telecom.

A companhia brasileira está em processo de fusão com a Portugal Telecom e o valor de suas ações vinha recuando até esta quinta-feira. O recuo foi motivado pela revelação de que a empresa portuguesa comprou 897 milhões de euros em notas promissórias da Rio Forte, que faz parte do Grupo Espírito Santo, cujo Banco Espírito Santo é o maior acionista da operadora europeia.

Segundo a Oi, o investimento da parceira portuguesa, que corresponde a cerca de 40 por cento da posição de caixa da Portugal Telecom, foi feito antes da subscrição e integralização do capital da Oi pela empresa europeia.

"A Oi não foi informada, nem participou das decisões que levaram à realização das aplicações de recursos em questão", disse a operadora. "A Oi já solicitou esclarecimentos adicionais à Portugal Telecom, analisará as informações recebidas e tomará as medidas necessárias à defesa de seus interesses", afirma a empresa no comunicado ao mercado, sem esclarecer quais medidas tomará.

O jornal Valor Econômico, citando uma fonte próxima às empresas, publicou nesta quinta-feira que os sócios da Oi e da Portugal Telecom "deverão rediscutir a relação de troca de ações entre as duas operadoras caso a Rioforte não honre pagamentos à PT (Portugal Telecom)".

Procurada, a Oi afirmou apenas que vai se manifestar sobre o assunto por meio do fato relevante divulgado ao mercado nesta quinta-feira.

"Creio que a Oi vai ter dificuldade para renegociar os termos da fusão uma vez que Zeinal Bava foi presidente-executivo da Portugal Telecom antes da Oi (...) Não estou muito preocupado com as implicações aos termos da fusão", disse Allan Nichols, analista sênior da Morningstar Equity Research, em Lisboa.

"Oi e Portugal Telecom precisam muito uma da outra do ponto de vista da posição de mercado delas, dos balanços financeiros e de tecnologia", acrescentou.   Continuação...