Governo federal segue Oi-Portugal Tel à distância, não vê risco à fusão--fontes

sexta-feira, 11 de julho de 2014 15:53 BRT
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal segue à distância a situação de disputa entre os sócios da Oi e da Portugal Telecom e não acredita, pelo menos até o momento, em ameaça à fusão das duas empresas, disseram à Reuters três fontes governamentais que acompanham o assunto.

"A avaliação é de que a situação não deve chegar ao ponto de derrubar a operação toda. Isso seria um negócio do tipo 'perde-perde'. Os dois lados precisam da fusão", disse uma das fontes, sob a condição de anonimato.

A fusão entre os grupos estava prevista para ser concluída em outubro, mas a descoberta de um investimento da Portugal Telecom, de cerca de 900 milhões de euros, em uma empresa do grupo Espírito Santo, gerou uma série de incertezas entre os acionistas sobre a união das companhias. O grupo Espírito Santo controla o banco BES, maior acionista da Portugal Telecom.

Segundo a fonte, até o momento, os movimentos do governo brasileiro estão se dando no nível institucional. Isso envolve monitoramento por órgãos regulatórios como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), cuja área técnica chegou a pedir informações para as empresas, disse outra fonte sem precisar o teor da solicitação.

Uma terceira fonte do governo brasileiro relatou que, pelo menos até o momento, a crise de confiança entre os acionistas de Oi e Portugal Telecom ainda não está recebendo um tratamento político por Brasília, que apoiou a fusão desde o início. "A avaliação é de que o caso ainda é uma questão empresarial, que deve ser resolvida dentro do ambiente empresarial", disse essa fonte.

Esse mesmo interlocutor ressalta que a tendência é o governo federal participar dessas conversas apenas por meio do BNDES, um dos acionistas da Oi. "Mesmo a participação do BNDES é empresarial, e não política", disse essa fonte.