Revisão do acordo da Oi com Portugal Telecom ainda deixa dúvidas

quarta-feira, 16 de julho de 2014 18:01 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 16 Jul (Reuters) - A renegociação dos termos da fusão entre Oi e Portugal Telecom, após calote tomado pela companhia ibérica, serviu de desculpa para uma alta das ações das duas companhias nesta quarta-feira, apesar de persistirem dúvidas sobre o negócio que tem como um dos principais objetivos tornar o grupo de telecomunicações mais transparente.

A Portugal Telecom deixou de receber da Rioforte, empresa holding do grupo português Espírito Santo, mais de 1 bilhão de dólares em dívida que venceu em 15 de julho.

O novo acordo entre as empresas prevê a redução da participação da Portugal Telecom na companhia resultante da união com a Oi, a transferência para a portuguesa do risco total da dívida em questão e a redução dos direitos políticos do grupo português.

Mas analistas avaliam que parte relevante da conta gerada pelo polêmico investimento da Portugal Telecom ainda será bancada por acionistas da empresa de telecomunicação brasileira.

Pelos termos divulgados em memorando de entendimento que ainda precisa ser referendado por autoridades e investidores, a Portugal Telecom entregará à tesouraria da Oi cerca de 474 milhões de ações ordinárias e perto de 950 milhões de papéis preferenciais de emissão da empresa brasileira. Isso reduziria a participação da portuguesa na futura empresa resultante da fusão, a CorpCo, dos cerca de 38 por cento previstos originalmente para 25,6 por cento.

O cálculo, contudo, foi feito levando em consideração os valores de 1,8529 real por ação preferencial e de 2,0104 reais por ação ordinária da Oi, acima das cotações de fechamento desses papéis na véspera, de 1,62 real e 1,56 real, respectivamente.

"O ponto é: nos atuais preços de mercado, a Portugal Telecom está dando à Oi o equivalente a 750 milhões de euros, menos do que a dívida da Rioforte (de 897 milhões de euros)", afirmou a analista Caroline Hees, da Brasil Plural, em relatório.

Pelo acordo revisado acertado nesta quarta-feira, a Portugal Telecom tem a opção de recomprar a totalidade ou parte dos papéis da Oi em um prazo de até seis anos pelos valores estipulados, mais a variação do CDI acrescida de 1,5 por cento. Os contratos definitivos devem ser assinados em até 20 dias.   Continuação...