Telecom Italia enfrenta dilema após perder disputa pela GVT

sexta-feira, 29 de agosto de 2014 19:49 BRT
 

PARIS/LONDRES/MILÃO (Reuters) - A Telecom Italia perdeu um caminho promissor para o crescimento de seu lucro ao não garantir a compra da operadora de banda larga brasileira GVT, e pode agora ser alvo de aquisição em uma indústria que se consolida rapidamente.

Ter vencido a disputa pela GVT, da companhia de mídia francesa Vivendi, era vital tanto para a Telecom Italia como para sua rival, a espanhola Telefónica, enquanto os mercados europeus encolhem. A Itália enfrentou uma guerra de preços no mercado móvel no ano passado, as receitas estão caindo e a competição se mantém forte.

A Telecom Italia perdeu a disputa para a Telefónica, já que não pôde superar a oferta de 7,45 bilhões de euros pela GVT. A Telecom Italia tem dívidas de 32 bilhões de euros (42 bilhões de dólares), de acordo com a agência de classificação de risco Moody's, e perdeu sua nota de grau de investimento no ano passado.

A compra da GVT poderia solucionar a maior fragilidade da TIM no Brasil, o fato de não ter redes de banda larga fixa.

A Telecom Italia poderá considerar agora deixar o país, que representa um terço de sua receita, o que lhe permitirá pagar alguma parte de sua dívida, mas a deixaria ainda mais dependente de um mercado doméstico fraco.

Sete fontes do setor bancário e investidores entrevistados pela Reuters nesta sexta-feira apontaram a Telecom Italia como uma empresa sem direção clara que poderá ter dificuldades para levantar recursos de acionistas para financiar importantes melhoras de sua rede.

O presidente-executivo Marco Patuano "está humilhado", disse um banqueiro sediado em Milão. "Ele vendeu de forma agressiva (o acordo da GVT) como a resposta para os críticos da Telecom Italia e agora precisa voltar à comunidade financeira para dizer quais são os próximos passos."

"Não haverá um aumento de capital simplesmente porque vai levar tempo para que a companhia se recupere desse revés e crie uma nova estratégia -- você não pode pedir mais ações sem um plano estratégico claro."

A base de acionistas da Telecom Italia adiciona mais confusão à situação. A Telefónica é agora seu maior acionista indireto, com 14,8 por cento de participação, mas venderá parte de sua fatia à Vivendi como forma de pagamento pela GVT. Instituições financeiras italianas também querem sair do que tem sido um investimento não rentável desde 2007.   Continuação...