Reguladores têm preocupação sobre fatias da Vivendi na Tel Italia e na Telefônica--fonte

sexta-feira, 19 de setembro de 2014 15:44 BRT
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA (Reuters) - O acordo de venda da operadora brasileira GVT pela Vivendi para a Telefónica gera algumas preocupações entre reguladores brasileiros, ainda que o grupo francês fique com uma fatia minoritária na Vivo, disse à Reuters nesta sexta-feira uma fonte do governo federal que acompanha o caso.

A Telefónica, controladora da Vivo, anunciou mais cedo acordo com a francesa Vivendi para comprar a operadora de banda larga GVT, em uma operação em dinheiro e ações avaliada em 7,2 bilhões de euros (9,29 bilhões de dólares).

A operação em duas etapas deixará a Vivendi com uma participação de 7,4 por cento na Telefônica Brasil, que atua no país sob a marca Vivo, e com fatia de 8,3 por cento no capital votante da Telecom Italia, controladora da TIM.

A fonte do governo sublinha que, se por um lado a operação pode significar o atendimento de determinação feita ano passado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que solicitou que a Telefónica deixasse a participação na Telecom Italia ou encontrasse um sócio para a Vivo, por outro coloca a Vivendi na situação de ser sócia de duas operadoras que concorrem no mercado brasileiro.

"Em tese, a Telefónica resolve o problema dela, mas a preocupação passa a ser com a Vivendi, ainda que numa proporção menor", disse a fonte do governo, sublinhando que a situação da Telefónica era mais grave, já que ela é controladora da Vivo, com uma participação substancial na Telecom Italia.

"Os órgãos responsáveis terão de analisar com calma, não é uma situação tão clara, ainda. Existe a preocupação, mas ainda não dá para falar em eventuais restrições (ao negócio)", disse a fonte.

A operação anunciada nesta sexta-feira terá de ser analisada pelo Cade e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Uma fonte com conhecimento da transação afirmou que a Vivendi, na conclusão da operação, será a maior acionista minoritária da Telefônica Brasil, com a participação do grupo Telefónica na empresa sendo reduzida de 74 por cento para cerca de 70 por cento.   Continuação...

 
Sede da empresa de internet em banda larga GVT, em Curitiba. 28/08/2014. REUTERS/Rodolfo Buhrer