Telefônica reforça competição com NET após compra da GVT

sexta-feira, 19 de setembro de 2014 19:05 BRT
 

PARIS/MADRID (Reuters) - O grupo francês Vivendi anunciou nesta sexta-feira acordo para vender a operadora GVT para a Telefónica, em um negócio bilionário que dará à companhia espanhola mais poder de competição no mercado de banda larga, liderado no Brasil pela NET, da mexicana América Móvil.

Segundo dados de julho da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a NET detém cerca de 30,4 por cento do mercado de banda larga fixa do país, enquanto a Telefônica aparece em terceiro lugar, com 18,7 por cento, seguida pela GVT, com 11,90 por cento.

Como as operações da Telefônica Brasil e da GVT não se sobrepõem intensamente, é possível somar as participações de Telefônica com GVT, afirmou um analista do setor que pediu para não ser identificado. A GVT tem forte atuação fora de São Paulo, Estado em que a Telefônica está presente com o serviço fixo.

Com a GVT, a fatia da Telefônica Brasil na banda larga fixa deve passar para 30,6 por cento, praticamente empatando com a participação da NET, disse o analista.

Além de reforçar a presença do grupo espanhol em banda larga fixa no Brasil, o anúncio da compra da GVT resolve em parte preocupações de reguladores brasileiros sobre as participações diretas e indiretas detidas pelo grupo espanhol no mercado nacional de telecomunicações, disseram fontes do governo federal.

O acordo é avaliado em cerca de 7,2 bilhões de euros (9,29 bilhões de dólares) e está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A operação em duas etapas deixará no final a Vivendi com uma participação de 7,4 por cento na Telefônica Brasil, que atua no país sob a marca Vivo, e com fatia de 8,3 por cento no capital votante da Telecom Italia, controladora da TIM.

Esse ponto é visto com certa preocupação por reguladores brasileiros, ainda que o grupo francês fique com uma fatia minoritária na Vivo, disse à Reuters uma fonte do governo federal que acompanha o caso.

Se por um lado a operação pode significar o atendimento de determinação feita ano passado pelo Cade, que mandou a Telefónica deixar a participação na Telecom Italia ou encontrar um sócio para a Vivo, por outro coloca a Vivendi na situação de ser sócia de duas operadoras que concorrem no mercado brasileiro.   Continuação...