Tim Cook, da Apple, diz ter orgulho de ser gay

quinta-feira, 30 de outubro de 2014 19:03 BRST
 

(Reuters) - O presidente da Apple, Tim Cook, tornou-se nesta quinta-feira o mais proeminente executivo norte-americano a se assumir gay, dizendo estar trocando sua privacidade cuidadosamente protegida pela chance de ajudar a impulsionar os direitos civis.

O executivo de 53 anos, nascido no Alabama e que se descreve como "filho do Sul", já havia se posicionado publicamente contra a discriminação de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT), e nesta quinta-feira declarou em editorial numa revista sua orientação sexual, um tema pouco discutido no Vale do Silício.

O anúncio de Cook ocorre enquanto o casamento gay está se espalhando, mas o país permanece dividido sobre os direitos dos homossexuais.

O casamento gay é legal em 32 Estados norte-americanos e nas pesquisas a maior parte da população apoia o casamento gay, com uma clara divisão geracional entre os norte-americanos mais jovens, que tendem a apoiá-lo, e os mais velhos.

"Tenho orgulho de ser gay, e considero que ser gay está entre os melhores presentes que Deus me deu", disse Cook em artigo publicado na revista Bloomberg Businesseweek.

Ele evocou defensores dos direitos civis como Robert F. Kennedy e Martin Luther King em seu longo texto.

"Ao escrever este texto, não pretendo me colocar no mesmo patamar que eles. Mas isto me permite olhar para as fotos deles e saber que estou fazendo a minha parte, mesmo que pequena, para ajudar os outros. Construímos o caminho da justiça juntos, tijolo por tijolo. Este é o meu."

O fato de o presidente da empresa de capital aberto mais valiosa dos Estados Unidos ter se assumido homossexual publicamente, e com o apoio do presidente do Conselho da companhia, mostra como os tempos mudaram.

O ex-presidente da BP Lord Browne, que manteve sua orientação sexual em segredo por décadas, foi forçado a assumir depois que seu namorado o fez em 2007. Ele posteriormente pediu demissão.   Continuação...