China condena ciberataques, mas diz não haver provas de que Coreia do Norte atacou Sony

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 09:54 BRST
 

PEQUIM/WASHINGTON (Reuters) - O governo da China disse nesta segunda-feira que se opõe a todas as formas de ataques eletrônicos, mas que não há provas de que a Coreia do Norte seja responsável por atacar a Sony Pictures, como disseram os Estados Unidos.

A Coreia do Norte negou que seja culpada e prometeu devolver qualquer retaliação dos EUA, ameaçando a Casa Branca e o Pentágono. Os hackers disseram que ficaram enfurecidos com uma comédia da Sony sobre o assassinato fictício do líder norte-coreano Kim Jong Un, cuja exibição o estúdio decidiu abortar.

A China não fez referência a pedidos feitos pelos Estados Unidos por uma ação conjunta para combater outros ataques eletrônicos similares.

"Antes de fazer qualquer conclusão é necessário que haja uma completa prestação de contas dos fatos e embasamento", disse a porta-voz do ministério das Relações Exteriores Hua Chunying. "A China vai tratar disso de acordo com as leis internacionais e chinesas relevantes e de acordo com os fatos."

Ela disse que o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, "reafirmou a posição relevante da China, enfatizando que a China se opõe a todas as formas de ciberataques e ciberterrorismo" em uma conversa com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, no domingo.

A China é a única grande aliada da Coreia do Norte, e seria crucial para qualquer esforço norte-americano contra o isolado país. Mas os EUA também acusaram a China de fazer espionagem eletrônica no passado, e uma autoridade norte-americana disse que o ataque contra a Sony pode ter usado servidores chineses para mascarar suas origens.

A agência estatal de notícias da Coreia do Norte disse que não sabia quem invadiu a Sony Pictures.

"Não sabemos quem ou onde estão, mas podemos dizer com certeza que são apoiadores e simpatizantes da República Democrática Popular da Coreia", disse a agência de notícias KCNA.

"Nosso mais duro contragolpe será dado audaciosamente contra a Casa Branca, o Pentágono e todo o território dos EUA, a fossa de terrorismo, superando em muito a 'resposta simétrica' declarada por Obama", disse a agência em comentários tipicamente agressivos.

(Por Megha Rajagopalan e Steve Holland)

 
Mapa da China numa tela de computador com dígitos binários em fotoilustração. 02/01/2014 REUTERS/Edgar Su