ANÁLISE-Oposição à venda de ativos portugueses deixa futuro da Oi mais incerto

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 18:53 BRST
 

Por Luciana Bruno

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os ventos contrários à venda dos ativos portugueses da Oi tornam o futuro da operadora de telefonia ainda mais incerto, e analistas preveem que, caso a operação não seja aprovada, a companhia terá de realizar novo aumento de capital, intensificando a queda do valor de suas ações.

    Acionistas da Portugal Telecom SGPS reúnem-se na próxima segunda-feira para analisar a venda dos ativos portugueses da Oi ao grupo francês Altice por 7,4 bilhões de euros. A venda é um esforço para reduzir o endividamento de quase 50 bilhões de reais da Oi e torná-la capaz de participar de um eventual processo de consolidação no mercado de telecomunicações brasileiro, com uma eventual oferta pela rival TIM.

A venda dos ativos vai desfazer na prática uma desastrada fusão da empresa com a Portugal Telecom realizada no ano passado e que foi azedada pelo calote de cerca de 900 milhões de euros de um investimento realizado pelo grupo português na holding Rioforte.

    Na quinta-feira, o presidente da assembleia de acionistas da Portugal Telecom SGPS, principal acionista da Oi, defendeu o fim da fusão com a operadora brasileira e o cancelamento da assembleia marcada para o dia 12. A defesa do fim da fusão ocorreu um dia depois que o banco português BPI, acionista indireto da Portugal Telecom, dizer que a fusão teria de ser travada, pois a queda das ações da Oi estaria causando destruição de valor na companhia portuguesa.

Além disso, nesta semana, acionistas minoritários da empresa portuguesa manifestaram descontentamento com a venda dos ativos, alegando que a alienação infringe o contrato de fusão firmado entre as operadoras.

Apesar das manifestações, o Conselho da Portugal Telecom SGPS inicialmente manteve a data da reunião de acionistas, ressalvando, contudo, que de fato a aprovação da venda representará o abandono dos termos da união entre as companhias. Mas, segundo uma fonte ligada à companhia, o Conselho voltou atrás e marcou para esta sexta-feira reunião com o objetivo de analisar a possibilidade de suspender ou adiar a reunião de acionistas.

Analistas ouvidos pela Reuters no Brasil consideram improvável uma reversão da fusão, devido à sua complexidade, mas consideram a possibilidade da venda dos ativos ser barrada pelos acionistas da Portugal Telecom SGPS. O próprio presidente-executivo da Oi, Bayard Gontijo, no comando da empresa desde outubro, afirmou à Reuters que a fusão com a Portugal Telecom é irreversível.

    "Voltar atrás (na fusão) é muito complicado porque já foi feita uma oferta pública (de ações). Os investidores seriam ressarcidos? Essa possibilidade tende a ser nula", disse Celson Plácido, estrategista da XP Investimentos.   Continuação...