Oi fica impedida de votar em assembleia da PT SGPS sobre negócio com Altice

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 15:36 BRST
 

LISBOA (Reuters) - O presidente da mesa da assembleia geral da Portugal Telecom SGPS anunciou bloqueio do direito a voto da Oi na assembleia geral de acionistas da empresa desta quinta-feira, que vai deliberar sobre a venda dos ativos portugueses do grupo à Altice. O bloqueio ocorreu para evitar potencial conflito de interesses.

"A Telemar (Oi), segundo o que foi feito na última assembleia (de 12 de janeiro), tem conflito de interesses, não poderá votar", disse António Menezes Cordeiro, ao abrir a reunião.

Ele afirmou que "a Oi tem todo o direito de estar na assembleia, de falar, perguntar e agir", mas completou: "quando chegar o momento da votação a lei portuguesa não permite votar".

Para Cordeiro, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que regula os mercados portugueses, disse que ainda faltam informações que a Portugal Telecom SGPS deveria prestar aos acionistas, completando que a informação ainda poderia ser prestada dentro da sala de reunião.

A Oi é a terceira maior acionista da Portugal Telecom SGPS, com fatia de 10 por cento. Caso a PT SGPS aprove a venda dos ativos, a Oi será beneficiária direta da venda de 7,4 bilhões de euros, podendo reduzir sua dívida e participar de um eventual processo de consolidação do mercado brasileiro.

A maior parte do capital da PT SGPS está disperso entre investidores institucionais. A empresa tem como maior acionista o Novo Banco, com 12,6 por cento --embora o estatuto defina o direito a voto a um máximo de 10 por cento-- em oposição à Oi e ao grupo de mídia Ongoing.

"De todas as propostas neste momento em cima da mesa, acho que esta (a venda) é a que melhor defende os (interesses dos) acionistas", disse Rafael Mora, vice-presidente da Ongoing, segunda maior acionista da PT SGPS, com 10,05 por cento.

"Qualquer acionista tem de ter responsabilidade e saber o que está em jogo", disse, referindo-se a uma assembleia de debenturistas que a Oi tem agendada para 26 de janeiro.

"Nada disso pode ser um bom negócio. Se fosse, não estávamos nesta situação. Por isso, evidentemente, esta é uma situação para amenizar o que já está mal", declarou.   Continuação...