23 de Janeiro de 2015 / às 17:53 / 3 anos atrás

ANÁLISE-Mesmo com venda da Portugal Tel, mercado segue cético sobre oferta de Oi pela TIM

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Oi deve fazer uma oferta de compra da TIM após conseguir aprovação para venda de seus ativos portugueses, apesar do mercado ainda se mostrar cético sobre a real capacidade do grupo brasileiro de realizar a operação, quase cinco meses depois de ter anunciado a contratação do BTG Pactual para desenhar uma proposta pela rival.

O ceticismo do mercado vai além: no final das contas, todo esse movimento pode levar a uma proposta da TIM pela Oi. A empresa do grupo Telecom Italia tem um valor de mercado quase sete vezes maior que a Oi, que possui uma oferta de serviços e dimensão geográfica mais ampla que a rival.

A avaliação dos analistas ocorre em um momento em que o presidente do Conselho de Administração da Telecom Italia, Giuseppe Recchi, e o presidente-executivo da companhia italiana, Marco Patuano, planejam vir ao Brasil na próxima semana para avaliar opções para uma oferta, disseram duas fontes próximas dos planos dos executivos.

    A venda dos ativos portugueses abre caminho para que a oferta de compra da TIM pela Oi juntamente a Claro e Vivo ocorra "no curto prazo", dependendo apenas de aprovações regulatórias da compra da GVT pela Telefónica, controladora da Vivo, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto.

Procuradas, Telefônica Vivo e TIM não comentaram o assunto. Representantes de Claro e Oi não puderam se pronunciar de imediato.

A Claro já tinha manifestado publicamente ter sido abordada pela Oi para uma oferta pela TIM. O presidente da empresa, Carlos Zenteno, afirmou em setembro que a empresa foi sondada pelo BTG para uma oferta e disse que a companhia estava aberta a analisar oportunidades de consolidação no mercado.

    Caso a oferta da Oi pela TIM seja efetivamente realizada, o valor ficará entre 30 bilhões e 40 bilhões de reais, sendo que a Oi deverá arcar com uma fatia maior da proposta, uma vez que tem menor participação no mercado de celular na comparação com Vivo e Claro, segundo analistas.

    Para o estrategista da XP Investimentos Célson Plácido mesmo com os cerca de 22 bilhões de reais advindos da venda dos ativos portugueses, a Oi não tem condições de entrar em uma oferta pela TIM, devido à sua alta dívida líquida, que encerrou o terceiro trimestre em cerca de 48 bilhões de reais.

    "A empresa não tem caixa, e não consegue comprar ninguém com esse grau de alavancagem", disse. "Faria mais sentido ser comprada."

    O analista ressaltou que mesmo o aumento da geração de caixa que viria com uma eventual absorção de parte da TIM não seria suficiente para resolver a situação da dívida da Oi.

    Ele lembrou que caso a Oi tivesse que arcar com ao menos 60 por cento da oferta pela TIM, esse valor seria de ao menos 18 bilhões de reais, praticamente o montante recebido pela venda da Portugal Telecom, continuando altamente endividada.

    O estrategista apontou como único caminho a emissão de ações, o que significaria uma maior penalização dos papéis da empresa, que já acumulam queda de mais de 20 por cento no ano.

    Um analista de banco de investimento que não quis se identificar segue na mesma linha. "Acredito que a Oi tenha sim interesse de comprar a TIM. Assim como eu tenho interesse de comprar um Boeing", disse ironicamente.

    "A aquisição da TIM ou de pedaços dela traria benefícios de sinergia. Só que o problema da Oi é que eles têm amortizações grandes de dívidas", salientou. "Até se beneficiar dessas sinergias, teria problemas de solvência."

O analista declarou que depois do aumento de capital realizado no ano passado, "o mercado está fechado para a Oi", tanto para emissão de ações como de dívidas.

"É mais provável colocar os 22 bilhões de reais no bolso", disse ele, completando que a possibilidade maior é que a empresa realize uma oferta "pro forma" de valor mínimo pela TIM para posteriormente receber uma contraproposta de fusão da empresa controlada pela Telecom Italia.

    "É possível que façam oferta pela TIM, que vai ser uma oferta com um preço suficiente para ter credibilidade, mas não o suficiente para a Telecom Italia querer vender", disse o analista. "E com isso pode ser que o Conselho da Telecom Italia se sinta pressionado a fazer contraproposta para comprar a Oi."

Em 2015, a Oi tem 4,865 bilhões de reais em amortização de dívida bruta ante 2,560 bilhões em 2014. O cronograma segue com 7,958 bilhões de reais em 2016 e 9,629 bilhões em 2017. Na segunda-feira, a empresa realiza assembleia com debenturistas pedindo para descumprir métricas de endividamento para ter recursos e flexibilidade estratégica neste ano.

Na quinta-feira, após a assembleia de acionistas da Portugal Telecom SGPS ter aprovado a venda dos ativos portugueses da Oi ao grupo europeu Altice, a Oi declarou que a venda vai melhorar as condições financeiras e operacionais da empresa e representa uma perspectiva concreta de participar de um processo de consolidação no Brasil.

A Oi espera a conclusão da liquidação financeira de venda dos ativos até o final do primeiro semestre deste ano.

A analista de telecomunicações do Goldman Sachs Vera Rossi, escreveu em nota que estima que a Oi deveria encerrar este ano com uma relação dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 4,4 vezes.

"Se a transação (de venda dos ativos portugueses) for completada, o preço de venda implica em uma dívida líquida da Oi de 9,7 bilhões de dólares e uma relação dívida líquida sobre Ebitda de 3,7 vezes", disse ela.

No primeiro trimestre de 2013, antes do anúncio de união das atividades da Oi com a Portugal Telecom a relação dívida líquida sobre Ebitda era de 3,05 vezes.

Segundo dados mais recentes da BM&FBovespa, o valor de mercado da Oi no dia 19 de janeiro era de 4,338 bilhões de reais enquanto o da TIM era de 28,93 bilhões.

As ações da Oi subiam mais de 8 por cento às 12h29 desta sexta-feira, após valorização de quase 20 por cento na véspera. Já os papéis da TIM mostravam ganho de 2 por cento, após ficarem estáveis na quinta-feira.

Com reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal em São Paulo, Danilo Masoni em Milão e Leila Abboud em Paris

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