Governo português confia que Altice estabilizará e valorizará Portugal Telecom

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 16:34 BRST
 

LISBOA (Reuters) - O governo de Portugal está confiante de que a francesa Altice vai pôr um ponto final à turbulência de acionistas e à "degradação" da Portugal Telecom, maior operadora de telefonia do país, após a venda dos ativos da companhia pela Oi para o grupo francês por 7,4 bilhões de euros.

"A Portugal Telecom merece ter acionistas que queiram a empresa e queiram investir nela. Vejo com muito bons olhos que esta situação da PT Portugal tenha sido clarificada e de forma tão indiscutível", afirmou o ministro da Economia de Portugal, António Pires de Lima, à Rádio e Televisão de Portugal (RTP).

Em Davos, no Fórum Economico Mundial, Pires de Lima mostrou satisfação com a aprovação pelos acionistas da PT SGPS da venda da PT Portugal à Altice.

"Um investidor que pega em 7,4 bilhões de euros, uma quantia apreciável em qualquer parte do mundo (...), como é evidente, quer valorizar os ativos que comprou em Portugal", disse Pires de Lima.

O primeiro-ministro português também mostrou otimismo quanto ao futuro da PT Portugal. "Espero que agora a Portugal Telecom tenha condições de recuperar o caminho de estabilidade acionária e de gestão, para poder, com os seus trabalhadores e com a sua estabilidade, prestar bons serviços à economia portuguesa", disse o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a jornalistas.

O ministro da economia ressaltou que esta é uma oportunidade para deixar um período difícil para trás.

"O fato da Portugal Telecom ter sido gerida como foi, ao longo dos últimos anos, e ter tido acionistas que estiveram fundamentalmente preocupados em usar a empresa como a sua tesouraria privada, para descapitalizar a empresa e satisfazer as suas necessidades financeiras, redundou nesta consequência terrível que foi a degradação da própria empresa", disse, em declarações à RTP.

A fusão entre a Portugal Telecom e a Oi, anunciada em 2013, visava originalmente criar uma operadora global de língua portuguesa, mas o projeto caiu por terra, abalado pelo polêmico investimento de 900 milhões de euros da companhia portuguesa em dívida da holding Rioforte, do colapsado Grupo Espírito Santo.

"Seria um verdadeiro crime se se permitisse que uma empresa que emprega 10 mil pessoas e que é tão relevante para a economia portuguesa, do ponto de vista da inovação, do ponto de vista da tecnologia, da concorrência na área das telecomunicações, estivesse cada vez mais contaminada por problemas e dúvidas entre os seus accionistas", acrescentou.   Continuação...