Alcatel-Lucent foca em novos tipos de clientes em corrida para se recuperar

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015 18:34 BRST
 

PARIS (Reuters) - No último ano de seu plano de retomada, o presidente da Alcatel-Lucent está pressionando para que a fabricante de equipamentos de telecomunicações diversifique sua base de clientes ao vender equipamentos de Internet a grandes companhias de tecnologia e corporações multinacionais.

O presidente-executivo Michel Combes planeja colocar mais ênfase nos roteadores de rede que direcionam tráfego da Internet e que permitiram à companhia se diferenciar de tradicionais fabricantes de celulares rivais como Ericsson e Nokia, e levá-la à competição com a gigante norte-americana de tecnologia de rede Cisco.

Analistas comemoraram a iniciativa focada em segmentos de alto crescimento e de novos tipos de clientes, mas querem mais evidências de que a Alcatel pode obter lucro após anos de prejuízos. Eles querem que a companhia gere mais caixa do que consuma.

Desde que foi formada pela fusão em 2006, a Alcatel-Lucent não teve fluxo de caixa livre positivo e só publicou lucro em um ano. Quando Combes assumiu dois anos atrás, a companhia estava tão frágil que alguns de seus maiores clientes pensavam em deixá-la por temores de falência.

Desde então, a Alcatel-Lucent passou por 10 mil demissões, vendeu cerca de 600 milhões de euros em ativos, e realizou aumento de capital de 1 bilhão de euros para sustentar suas finanças.

Combes, ex-chefe da Vodafone na Europa, também cortou cerca de 650 milhões de euros em custos dentro do 1 bilhão de euros prometidos para serem cortados até 2016, o que ajudou o preço das ações da empresa triplicarem desde sua chegada.

A alta das ações também está sendo motivada pela esperança de alguns investidores de que a Alcatel-Lucent possa vender seu negócio de celular -- que é forte no mercado norte-americano, mas está dando prejuízo -- para a Nokia.

O sucesso da divisão de equipamentos para Internet que Combes priorizou quando assumiu em abril de 2013 significou que mesmo se a Alcatel-Lucent de fato sair do negócio de celular, ainda teria um futuro independente, apesar de um escopo menor.

(Por Leila Abboud e Gwénaëlle Barzic)