China quer forçar registro de nomes reais na Internet

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 13:13 BRST
 

PEQUIM (Reuters) - A China vai banir a partir do dia 1º de março contas na Internet que usem incorretamente nomes de pessoas ou organizações com o objetivo de que sejam usados nomes reais ao fazer o registro em contas online.

O país vem repetidamente tentando fazer com que os usuários da Internet se registrem em contas usando seus nomes reais, embora não tenha conseguido sucesso absoluto.

    A proibição da omissão ou uso indevido de nomes inclui contas que se fazem de órgãos do governo, como a agência chinesa anticorrupção e organizações de notícias, como o jornal estatal People’s Daily, assim como contas que personificam líderes estrangeiros, como o presidente norte-americano, Barack Obama, o presidente russo, Vladimir Putin, e a Administração Chinesa do Ciberespaço (CAC).

    Muitos usuários de redes sociais criam contas que são paródia de figuras importantes e instituições para fazer piadas.

    A nova regulação é parte dos esforços para impor o registro de nomes reais dos usuários e conter o avanço de rumores na rede, afirma a CAC.

    A medida reflete o controle firme chinês sobre a Internet, que acelerou desde que o presidente Xi Jinping assumiu o poder no início de 2013.

    Empresas de Internet terão a responsabilidade de aplicar as regras, diz a CAC. Dentre elas está a Tencent Holdings ltd 0700.HK, que controla os populares serviços de mensagens WeChat e QQ, assim como o Weibo Corp WB.O, operador de microblog, assim como diversos fóruns online.

O Weibo apoia firmemente a adoção das medidas e vai fortalecer a manutenção dos esforços, disse um porta-voz via e-mail. No último mês, o Weibo removeu 293 contas com “nomes nocivos”, incluindo os que são políticos, pornográficos e relacionados à segurança pública, disse o porta-voz. A Tencent se recusou a comentar.

    A China opera um dos mecanismos mais sofisticados de censura no mundo, conhecido como Grande Firewall. Os censores mantêm de maneira rigorosa o que pode ser publicado online, principalmente conteúdo visto como potencialmente debilitantes ao Partido Comunista.

    Na terça-feira, a CAC acusou a NetEase In NTES.o, um portal online norte-americano sediado na China, de espalhar rumores e pornografias. No último mês, 133 contas do WeChat foram fechadas por “distorcer história”, relatou a mídia estatal.

(Reportagem de Paul Carsten)