CENÁRIOS-Economia fraca e dólar pressiona crescimento da TV paga no Brasil em 2015

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 12:11 BRST
 

Por Luciana Bruno

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O cenário de fraqueza econômica do país e a valorização do dólar devem fazer a TV por assinatura crescer menos no Brasil este ano, em mais um capítulo de uma desaceleração que já dura três anos, segundo operadoras de telecomunicações e associações do setor.

O mercado de TV paga teve crescimento de 8,7 por cento em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2013, para 19,6 milhões de acessos, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O avanço foi mais lento se comparado a 2013 e 2012, quando houve altas anuais de 11,3 e 27 por cento, respectivamente.

A indústria já percebeu diminuição da demanda em janeiro em um ambiente em que a TV paga é um dos primeiros serviços cancelados quando há redução do orçamento das famílias, disse Ariel Dascal, diretor da Oi TV, da operadora Oi. "A demanda está dando uma esfriada, fruto da nova situação econômica", declarou.

"O mercado é feito de pessoas que estão aderindo. Acontece que (em situação econômica ruim) as famílias começam a rever (a decisão de assinar)", completou o executivo da Oi, que não prevê corte nos preços em seus pacotes de canais.

A Claro TV também antecipa ano mais complicado. Segundo Antônio João Filho, diretor-executivo da companhia, as dificuldades já foram sentidas no segundo semestre do ano passado, quando a operadora teve um pico de inadimplência e em dezembro teve de retirar 397 mil usuários de sua base de 3,38 milhões de assinantes.

"Nós procuramos fazer várias ações para manter os clientes, como negociar a dívida e reduzir os planos. Tivemos sucesso com uma parte, mas com outra não conseguimos", disse João Filho.

Tendo em vista o cenário adverso, a empresa de televisão por assinatura via satélite do grupo mexicano América Móvil aposta este ano no pacote pré-pago, criado no fim de 2014, que permite uma assinatura mensal de TV sem necessidade de contrato anual. O modelo já é adotado em países como Índia e Venezuela, disse o executivo.

"O cliente compra o equipamento uma vez e paga o pacote de TV conforme tem dinheiro", declarou. "Esse produto deve crescer, uma vez que a população já está habituada a comprar créditos de telefonia móvel", completou.   Continuação...