Pesquisadores russos expõem programas espiões dos EUA

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015 15:20 BRST
 

Por Joseph Menn

SÃO FRANCISCO (Reuters) - A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) descobriu como esconder um software espião dentro de discos rígidos fabricados pela Western Digital, Seagate, Toshiba e outras grandes marcas, o que dá à agência a capacidade de espionar a maioria dos computadores do mundo, de acordo com pesquisadores e ex-operadores.

O bem guardado recurso é parte de um conjunto de programas espiões revelados pelo Kaspersky Lab, um fabricante de softwares com base em Moscou, que tem exposto uma série de operações de ciberespionagem do Ocidente.

O Kaspersky disse ter encontrado computadores pessoais em 30 países infectados com um ou mais programas espiões, com as maiores incidências vistas no Irã, seguido pela Rússia, Paquistão, Afeganistão, China, Mali, Síria, Iêmen e Argélia.

Os alvos incluem governos e instituições militares, companhias de telecomunicação e eletricidade, bancos, pesquisadores de energia nuclear, meios de comunicação e ativistas islâmicos, segundo o Kapersky.

A empresa não quis dizer o país por trás da campanha de espionagem, mas afirmou que ele era bem ligado a Stuxnet, a iniciativa liderada pela NSA que foi usada para atacar instalação de enriquecimento de urânio iraniana. A NSA é a agência norte-americana responsável por coletar inteligência eletrônica.

Um ex-funcionário da NSA declarou à Reuters que a análise do Kaspersky era correta, que as pessoas na agência valorizavam esses programas de espionagem. Um outro ex-agente de inteligência confirmou que a NSA havia desenvolvido a técnica de esconder softwares em computadores, mas disse não saber quais esforços de espionagem dependiam do recurso.

Vanee Vine, porta-voz da NSA, afirmou que a agência sabia do relato do Kaspersky, mas que não iria comentá-lo publicamente.

O Kaspersky publicou os detalhes técnicos da sua pesquisa na segunda-feira, uma iniciativa que poderia ajudar os infectados a detectar os programas espiões, alguns deles operando desde 2001.   Continuação...