Espiões dos EUA e britânicos tiveram acesso a bilhões de celulares por invasão, diz Intercept

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 19:31 BRST
 

FRANKFURT, Alemanha (Reuters) - Espiões da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos invadiram os computadores do maior fabricante de chips SIM do mundo, dando-lhes a capacidade de monitorar chamadas, mensagens de textos e emails de bilhões de usuários de celulares ao redor do mundo, noticiou um portal investigativo na Internet.

A suposta invasão da Gemalto, se confirmada, alargaria a abrangência dos métodos de vigilância em massa de que se tem conhecimento como estando disponíveis às agências de espionagem britânicas e norte-americanas, incluindo o monitoramento não somente de emails e tráfego de dados na Internet, como revelado anteriormente, mas também de telefonia móvel. 

A companhia franco-alemã disse nesta sexta-feira que estava investigando se a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) e a agência britânica GCHQ haviam invadido seus sistemas para roubar códigos-chave de encriptação que podem destravar as configurações de segurança de bilhões de telefones celulares.

A reportagem do site The Intercept, que cita documentos fornecidos pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden, tem o potencial de se tornar um constrangimento para os governos dos EUA e da Grã-Bretanha. O caso abre uma nova frente de disputa entre defensores das liberdades civis e serviços de inteligência, que dizem que os cidadãos de seus países enfrentam uma ameaça grave de ataques por grupos militantes do Estado Islâmico.

A notícia surge semanas após um tribunal britânico ter decidido que a GCHQ havia agido ilegalmente ao acessar os dados de milhões de pessoas na Grã-Bretanha, coletados pela NSA.

A reportagem da The Intercept (bit.ly/19E0KUK) disse que a invasão foi detalhada em um documento secreto da GCHQ datado de 2010 e permitiu à NSA e à GCHQ monitorar grandes quantidades de comunicações móveis em voz e dados ao redor do mundo sem a permissão dos respectivos governos, companhias telefônicas e usuários.

“Tomamos essa publicação muito seriamente e vamos dedicar todos os recursos necessários para investigar completamente e entender a abrangência de tais técnicas sofisticadas”, disse a Gemalto, cujas ações caíram mais de 10 por cento nesta sexta-feira pela manhã, em seguida à publicação da reportagem.

Uma porta-voz da agência britânica GCHQ (sigla em inglês para Quartel-General de Comunicações Governamentais) disse nesta sexta que não comenta sobre assuntos de inteligência. A NSA não pôde ser imediatamente contatada para comentar.

Uma fonte de segurança europeia disse que os aparelhos celulares são amplamente utilizados por grupos terroristas e que as tentativas das agências de inteligência em acessar suas comunicações são justificáveis caso tenham sido “autorizadas, necessárias e proporcionais”. A fonte não confirmou ou negou se os documentos eram de fato da GCHQ.

(Reportagem adicional de Abhirup Roy e Supantha Mukherjee em Bangalore; Leigh Thomas, Cyril Altmeyer, Blaise Robinson e Nicholas Vinocur em Paris, Mark Hosenball em Washington; Jens Hack em Munique; e Harro ten Wolde em Frankfurt)