EXCLUSIVO-Obama critica duramente planos da China para novas regras de tecnologia

segunda-feira, 2 de março de 2015 21:24 BRT
 

Por Jeff Mason

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou duramente nesta segunda-feira os planos chineses de implantar novas regras para as companhias de tecnologia norte-americanas e pediu a Pequim que modifique sua posição caso queira continuar a fazer negócios com o país, afirmando ainda que tocou no assunto com o presidente chinês, Xi Jinping.

Em entrevista à Reuters, Obama disse estar preocupado com os planos de Pequim de implantar uma ampla lei antiterrorismo que exigiria que as empresas de tecnologia entregassem os códigos de criptografia que ajudam a proteger dados e instalassem em seus sistemas vias de acesso para o governo chinês.

"Isso é algo sobre o qual levantei diretamente com o presidente Xi", disse Obama. "Deixamos bastante claro para eles que isso é algo que eles vão ter que mudar se forem fazer negócios com os Estados Unidos."

O governo chinês entende que as regras são cruciais para proteger o Estado e assuntos secretos.

As companhias ocidentais dizem que as regras agravam as condições cada vez mais onerosas para se fazer negócio com a segunda maior economia do mundo e ressaltam o grau de desconfiança entre Washington e Pequim sobre o tema da segurança cibernética.

Um organismo parlamentar chinês leu uma segunda versão da primeira lei antiterrorista do país na semana passada e a expectativa é de que a legislação seja aprovada nas próximas semanas ou meses.

O projeto inicial, publicado pelo Congresso Nacional do Povo no ano passado, exigia que as companhias também mantivessem servidores e dados de usuários dentro da China, fornecendo às autoridades legais os registros de comunicação e censurando conteúdos relacionados ao terrorismo na Internet.

As leis “iriam essencialmente forçar todas as empresas estrangeiras, incluindo companhias norte-americanas, a entregar ao governo chinês mecanismos para que eles possam espionar e seguir os passos de todos os usuários desses serviços”, disse Obama.   Continuação...

 
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (direita), concede entrevista à Reuters, na Casa Branca, em Washington, nesta segunda-feira. 02/03/2015 REUTERS/Kevin Lamarque