Ataques digitais destrutivos são mais comuns que roubo de dados nas Américas, mostra pesquisa

terça-feira, 7 de abril de 2015 15:36 BRT
 

SAN FRANCISCO, Estados Unidos (Reuters) - Ataques cibernéticos que destróem mais do que roubam dados ou que manipulam equipamentos são mais comuns do que se acredita, de acordo com pesquisa com organizações de infraestrutura crítica realizada nas Américas do Norte e do Sul.

A pesquisa da Organização dos Estados Americanos (OEA), a ser lançada nesta terça-feira, descobriu que 40 por cento dos consultados enfrentaram tentativas de derrubada de suas redes de computadores, 44 por cento lidaram com tentativas de apagamento de arquivos e 54 por cento encontraram "tentativas de manipulação" de equipamento por meio de um sistema de controle.

Esses números são consideráveis uma vez que apenas 60 por cento dos 575 consultados disseram ter detectado tentativas de roubos de dados, considerados há tempos o principal objetivo dos ataques cibernéticos.

O mais destrutivo ataque em solo norte-americano foi o do ano passado contra a Sony Pictures Entertainment, da Sony, que vazou dados das máquinas do estúdio de cinema de Hollywood e deixou algumas de suas redes internas inoperantes.

A comoção com esse vazamento, à qual se somou o presidente Barack Obama, mostrou a percepção de que a destruição de dados era um extremo incomum, apesar de ser antecipada há anos.

A destruição de dados apresenta menos desafio técnico comparada à penetração da rede, por isso a menor publicidade para esses eventos frequentemente tem sido descrita como uma desmotivação para os hackers.

Agora que ferramentas hackers estão sendo espalhadas de forma mais ampla, mais criminosos, ativistas, espiões e rivais nos negócios estão testando tais métodos.

"Todos ficaram ultrajados com o ataque à Sony, mas mais vulneráveis são os serviços dos quais dependemos diariamente", disse Adam Blackwell, secretário de segurança multidimensional em Washington do grupo de 35 nações.

A pesquisa consultou companhias e órgãos públicos em setores cruciais definidos por membros da OEA. Cerca de um terço dos consultados eram entidades públicas, com comunicações, segurança e finanças sendo os setores mais representados.

Na companhia de segurança digital Trend Micro, que compilou os dados para o relatório da OEA, o vice-presidente de segurança, Tom Kellermann, afirmou que ataques adicionais destrutivos vieram de ativistas políticos e grupos de crime organizado.

"Estamos enfrentando um claro e presente perigo onde temos atores não estatais com interesse em destruição", disse o executivo. "Este vai ser o ano em que sofreremos uma catástrofe no hemisfério", afirmou.