Redes militares israelenses são invadidas por hackers, dizem pesquisadores

sexta-feira, 17 de abril de 2015 18:25 BRT
 

SAN FRANCISCO (Reuters) - Hackers conseguiram entrar na rede de computadores ligada aos militares isralelenses, em uma ação de espionagem que foi bem-sucedida ao esconder programas maliciosos em emails enganosos, de acordo com pesquisadores de segurança da Blue Coat Systems.

O esforço de quatro meses, provavelmente conduzido por programadores de língua árabe, demonstra como o Oriente Médio continua a ser um refúgio para a espionagem cibernética, e como a ampla habilidade de realizar tais ataques se disseminou, disseram os pesquisadores.

Waylon Grange, um dos pesquisadores que trabalham na Blue Coat e descobriram a ofensiva, disse que a grande maioria dos softwares usados pelos hackers foram projetados usando ferramentas amplamente disponíveis, tais como o Trojan, espécie de programa malicioso, chamado Poison Ivy.

Os hackers trabalharam provavelmente com poucos recursos e economizaram ao utilizar códigos já existentes, disse Grange, acrescentando que a maior parte do trabalho pareceu ter sido investida em engenharia social, isto é, em descobrir maneiras de enganar humanos.

Os hackers enviaram emails a vários endereços militares, nos quais veiculavam supostas notícias militares ou, em alguns casos, um vídeo destacando “Garotas das Forças de Defesa de Israel (FDI)”.

Alguns dos emails incluíam anexos que estabeleciam portas de entrada para o futuro acesso de hackers, assim como módulos com capacidade de baixar e executar programas maliciosos adicionais, de acordo com a Blue Coat. 

Uma porta-voz do Ministério de Defesa de Israel encaminhou os questionamentos sobre o assunto aos militares. Oficiais militares disseram não “ter conhecimento sobre invasão das redes operacionais das FDI.”

Alegando acordos de confidencialidade com clientes, a Blue Coat se recusou a revelar onde exatamente foi realizado o ataque, e Grange afirmou não saber se algum dado vital havia sido roubado.

(Por Joseph Menn; com reportagem adicional de Maayan Lubell em Jerusalém)