Lideranças científicas dos EUA vão discutir desafios éticos de edição de genes

segunda-feira, 18 de maio de 2015 14:34 BRT
 

NOVA YORK (Reuters) - A principal organização científica dos Estados Unidos, em resposta a preocupações expressadas por cientistas e especialistas em assuntos éticos, lançou uma iniciativa ambiciosa para recomendar diretrizes sobre a nova técnica genética que tem o potencial de permitir a criação de "bebês sob medida".

O método, chamado CRISPR-Cas9, permite que cientistas alterem virtualmente qualquer gene que seja desejado. A técnica é similar a um programa de editor de texto biológico que detecta e substitui defeitos genéticos.

A técnica tomou a biologia de assalto, incitando discussões ferozes de patentes entre start-ups e universidades que dizem que isso pode se provar tão lucrativo e revolucionário quanto a tecnologia de DNA recombinante, que foi desenvolvida nas décadas de 1970 e 1980 e lançou a indústria de biotecnologia.

No entanto, a CRISPR também trouxe preocupações éticas.

No mês passado, cientistas na China relataram que realizaram o primeiro experimento usando a edição de genes com CRISPR para alterar o DNA de embriões humanos. Embora os embriões não fossem viáveis e não pudessem se desenvolver em bebês, o anúncio deu início a coros de cientistas alertando que tal passo, que pode alterar o genoma humano por gerações, é só questão de tempo.

Em resposta, a norte-americana Academia Nacional de Ciências (NAS, na sigla em inglês) e seu Instituto de Medicina vão organizar uma reunião internacional neste ano. No evento, pesquisadores e outros especialistas vão "explorar as questões científicas, éticas e de política associadas com a pesquisa de edição de genes humanos", disseram as academias em comunicado.

(Por Sharon Begley)