CENÁRIOS-Expansão de fibra óptica desacelera, mas ainda é prioritária no longo prazo

terça-feira, 26 de maio de 2015 14:58 BRT
 

Por Luciana Bruno

SÃO PAULO (Reuters) - As operadoras de telecomunicações desaceleraram os investimentos em infraestrutura de fibra óptica no Brasil nos primeiros meses de 2015 por conta do cenário econômico mais difícil, mas a perspectiva permanece de que esse serviço, junto com a tecnologia 4G, será a principal fonte de receita do setor nos próximos anos.

Em vez de apostar na expansão da cobertura, as operadoras estão trabalhando para aumentar a utilização de suas redes já existentes.

"A demanda deu uma diminuída nos últimos três meses", disse José Alcântara, diretor de planejamento da Furukawa, uma das principais fornecedoras de equipamentos de fibra óptica do país. "Estão implantando fibra óptica, mas antes (a demanda) era por cabos de grande formação, e agora é por pequenos, que maximizam a capacidade da rede que já têm", disse.

Segundo ele, a alta do dólar e dos preços da energia também têm elevado os custos dos investimentos.

Nos resultados do primeiro trimestre já é possível verificar uma desaceleração das adições de "homes passed", ou seja, número de domicílios que podem ser atendidos pela rede de fibra de uma operadora, que serve de indicador da expansão da cobertura.

A Vivo, por exemplo, que atua com fibra óptica residencial apenas em São Paulo, disponibilizou serviço de fibra para 100 mil novos domicílios nos primeiros três meses deste ano, ante 500 mil e 700 mil no terceiro e quarto trimestres do ano passado, respectivamente.

O número de clientes conectados com fibra da Vivo, por outro lado, manteve o ritmo de crescimento de cerca de 15 por cento, passando de 322 mil no terceiro trimestre do ano passado, para 375 mil nos três últimos meses de 2014 e para 429 mil ao fim de março deste ano.

De fato, executivos de Vivo e da rival NET, do grupo América Móvil, disseram que a estratégia neste momento está sendo captar clientes ou migrar consumidores da base de banda larga tradicional para a fibra, e não tanto a expansão da cobertura.   Continuação...