Merkel pede para que alemães deixem de lado medo com coleta de dados digitais

terça-feira, 9 de junho de 2015 19:12 BRT
 

Por Georgina Prodhan e Michael Nienaber

BERLIM (Reuters) - Os alemães precisam superar seus receios tradicionais com coleta de dados pessoais em larga escala por companhias e abraçar as oportunidades sob o risco de serem marginalizados na economia global, disse a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, nesta terça-feira.

Em uma mudança no tom da Alemanha, um dos países mais críticos às práticas de gigantes norte-americanas da Internet, como o Google, Merkel fez o pedido particularmente para o chamado "Mittelstand", que agrega empresas familiares, a fim de que elas não sejam deixadas para trás.

"Como eu não sou uma nativa digital --no melhor caso sou uma migrante digital iniciante-- eu sei o que significa ter que se adaptar para este novo mundo em um estágio avançado da vida", disse Merkel, de 60 anos, durante uma conferência com líderes empresariais em Berlim.

Companhias "Mittelstand", a espinha dorsal da economia alemã, são frequentemente administradas por membros mais velhos das famílias cujos filhos não querem seguir seus passos.

"Quem quer que veja dados como uma ameaça, quem quer que pense sobre todo tipo de dados em termos do mal que pode ser feito com isso, não será capaz de tirar vantagem da oportunidade da digitalização", disse Merkel a uma audiência que incluía o presidente-executivo do Google, Eric Schmidt.

Merkel ressaltou que não estava só se referindo à conectividade crescente da indústria tradicional, apelidada de "Industria 4.0" na Alemanha, mas à coleta de dados individuais para criar produtos personalizados, o que é tão controverso no país.

Muitos alemães ainda têm medos viscerais sobre os riscos de expor dados a governos ou empresas, com lembranças ainda frescas da coleta de dados e espionagem pelo serviço de segurança do Estado da Alemanha Oriental, a Stasi.

(Reportagem de Georgina Prodhan)

 
Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, durante entrevista coletiva na cúpula do G7 em Kruen, sul da Alemanha, na segunda-feira. 08/06/2015 REUTERS/Michaela Rehle