Empresa britânica cria porcos geneticamente modificados resistentes à doença da orelha azul

terça-feira, 8 de dezembro de 2015 13:50 BRST
 

LONDRES (Reuters) - Uma companhia britânica de genética animal criou os primeiros porcos do mundo resistentes a uma doença viral comum na espécie, usando uma nova tecnologia de edição de genes.

A Genus, que fornece sêmen de porcos e bois para fazendeiros no mundo todo, afirmou nesta terça-feira que trabalhou com a universidade norte-americana do Missouri para desenvolver porcos resistentes ao vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (conhecido na sigla em inglês por PRRSv).

A doença, também conhecida como "Doença da Orelha Azul", que pode ser fatal ao afetar o sistema imunológico, custa a fazendeiros centenas de milhões de dólares por ano e não tem cura.

Ao usar técnica de edição precisa de genes, a equipe da universidade conseguiu criar porcos que não produzem uma proteína específica necessária para que o vírus se reproduza nos animais. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Biotechnology.

Estudos iniciais sugerem que os porcos resistentes ao PRRSv, quando expostos ao vírus, não ficam doentes e continuam a ganhar peso normalmente.

O desenvolvimento destes animais resistentes é mais uma prova do poder representado pela edição de genes, que está varrendo a indústria de biotecnologia. O vice-presidente científico da Genus, Jonathan Lightner, afirmou que o desenvolvimento é um potencial fator de mudança para a indústria de carne suína.

A edição de genes de organismos vivos representa uma grande promessa de tratamento de doenças e melhoria da agricultura e de espécies de animais. Mas quando aplicada a humanos, a técnica pode ser usada para criar "bebês projetados", o que tem criado críticas e clamor por uma proibição global contra a modificação genética de embriões humanos.

A tecnologia permite aos cientistas editar genes por meio de "tesouras" biológicas que operam como um programa editor de texto, em que trechos de DNA podem ser localizados e substituídos.

A técnica tem sido usada em laboratórios ao redor do mundo, mesmo apesar das ferrenhas críticas e preocupações sobre segurança.   Continuação...