Empresário francês vê Telecom Italia como predadora e não presa no mercado

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015 10:21 BRST
 

MILÃO (Reuters) - O empresário francês Xavier Niel vê a Telecom Italia mais como predadora do que como presa no cenário de consolidação do mercado de telecomunicações na Europa e sugeriu que ele poderia ter um papel mais ativo no grupo italiano, de acordo com uma entrevista nesta sexta-feira.

A Telecom Italia, controladora da TIM no Brasil, tem ficado no centro de especulações desde que Niel emergiu em outubro como potencialmente o segundo maior acionista da companhia, atrás do grupo francês Vivendi, que tem uma fatia de 20,5 por cento.

Em seus primeiros comentários detalhados desde que investiu em opções que podem lhe dar uma fatia de pouco mais de 15 por cento na Telecom Italia, Niel disse ao jornal italiano La Stampa que é um investidor industrial no grupo e não um "saqueador" financeiro.

No entanto, ele se recusou a comentar se planeja converter suas opções em ações.

Niel disse que a Telecom Italia, que tem registrado dificuldades por anos com a falta de estratégias claras e é vista como alvo de potencial aquisição, tem "tudo o que precisa" para se tornar "agregadora" do mercado europeu de telecomunicações.

"Parece haver uma opinião generalizada de que a empresa deve ser alvo... Mas eu realmente não acho isso", disse Niel.

O fato de a Telecom Italia ter operações na Itália e no Brasil mas em nenhum outro país na Europa é uma oportunidade, acrescentou.

Ele disse que não está agindo em benefício de qualquer outra empresa da indústria e que não sabia se a Orange, frequentemente citada como uma possível candidata pela Telecom Italia, está interessada no grupo italiano.

Niel afirmou que a Telecom Italia é uma "operadora fantástica" com uma administração razoavelmente boa, mas também tem algumas fraquezas.

"E eu tenho algumas ideias", disse ao jornal. "Você precisa dar (à Telecom Italia) a capacidade para investir no crescimento tanto na fibra óptica como nas redes 4G para que gere mais receitas, mas ainda manter as tarifas baixas."

(Por Agnieszka Flak)