ANÁLISE-Leilão do 4G deve arrecadar menos que o esperado com ausência da Oi

quarta-feira, 24 de setembro de 2014 17:21 BRT
 

Por Luciana Bruno

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Após pressão das operadoras de telecomunicações para seu adiamento, o leilão da faixa de 700 MHz da telefonia móvel de quarta geração (4G) ocorrerá na semana que vem com três grandes participantes em vez de quatro, e segundo analistas há grandes chances do certame arrecadar menos que o esperado pelo governo federal.

A ausência da Oi no leilão da frequência significará menos concorrência no certame e, consequentemente, ofertas menos vultosas, com a possibilidade do quarto lote nacional não receber propostas, disseram especialistas.

As operadoras Vivo, TIM e Claro se cadastraram na terça-feira para participar do leilão, enquanto Oi e Nextel optaram por ficar fora da disputa. A Oi tem dívida de 46 bilhões de reais e afirmou recentemente que avalia compra da TIM, já no caso da Nextel, o controlador da empresa pediu proteção contra falência.

Segundo Rafael Fanchini, diretor da área de consultoria da EY (ex-Ernst & Young), cada uma das três operadoras deverá arrematar um lote nacional. No entanto, é provável que o quarto lote, que é nacional mas não cobre as áreas da Sercomtel (região de Londrina, no Paraná) e da Algar (municípios do interior de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais), não receba ofertas.

O edital prevê que se um lote não receber ofertas na primeira rodada, será dividido em dois de largura menor, de 5 MHz mais 5 MHz, para uma segunda rodada. Simultaneamente, o limite de aquisição de cada proponente sobe para 20 MHz mais 20 MHz, abrindo caminho para que uma empresa que já arrematou um lote na primeira fase possa comprar mais capacidade na segunda.

Mas Fanchini acha improvável que as operadoras que arrematarem os lotes nacionais ainda tenham apetite para adquirir sublotes restantes. "As empresas vão ter que gastar altos recursos nos lotes nacionais, quase 2 bilhões de reais cada um. Teriam que gastar mais 1 bilhão para arrematar um sublote, seriam 3 bilhões de reais ou mais com eventuais valorizações em função da disputa. Acho improvável", declarou.

Para o especialista, "não há empresas com apetite tão grande" no mercado brasileiro. Segundo ele, mesmo com a projeção de crescimento da banda larga móvel, esse avanço pode não ser tão grande tendo em vista a expectativa de menor crescimento econômico nos próximos anos.

Quanto mais espectro de frequência uma empresa tiver, mais capacidade terá para oferecer serviços de banda larga móvel a partir de 2019, quando a nova faixa entra em operação. Atualmente, as empresas operam no 4G com a frequência de 2,5 GHz, leiloada pelo governo federal em 2012 em uma disputa que levantou 2,93 bilhões de reais e teve ágios que chegaram a 67 por cento.   Continuação...