Claro, TIM e Vivo compram licenças nacionais de 4G; leilão rende menos que o esperado

terça-feira, 30 de setembro de 2014 17:06 BRT
 

Por Leonardo Goy e Luciana Bruno

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - As três maiores operadoras de telefonia móvel do Brasil arremataram nesta terça-feira frequências de 700 MHz para oferta de serviços de quarta geração (4G), num leilão que rendeu bem menos que o esperado para os cofres públicos e não teve competição.

Claro, do grupo mexicano América Móvil, e TIM Participações, da Telecom Italia, ficaram com os lotes 1 e 2, respectivamente, oferecendo cada uma 1,947 bilhão de reais pelas licenças, com apenas 1 por cento de ágio. A Telefônica Brasil, da espanhola Telefónica, e que opera sob a marca Vivo no país, pagará o lance mínimo de 1,928 bilhão de reais pelo lote 3.

A operadora regional Algar Telecom, que poderia elevar seu status para se tornar uma companhia nacional, optou por fazer oferta apenas pelo lote 5 de frequências em sua área de atuação, com proposta de 29,6 milhões de reais, praticamente o mínimo previsto no edital da disputa.

Com apenas quatro empresas no leilão, dois dos seis lotes oferecidos não atraíram interessados. Um abrange o território nacional com exceção das áreas de cobertura das operadoras Algar e Sercomtel. O outro é regional. Os preços mínimos desses lotes eram de quase 1,9 bilhão e de 5,3 milhões de reais, nesta ordem.

A ausência da Oi, que enfrenta dificuldades com a união com a Portugal Telecom, e da Nextel, cujo controlador NII Holdings pediu concordata nos Estados Unidos, fez com que praticamente não houvesse concorrência no leilão, disseram especialistas no setor. O fato foi também agravado pela falta de participantes estrangeiros, possibilidade que vinha sendo mencionada pelo governo federal.

Segundo Dane Avanzi, vice-presidente da Associação das Empresas de Radiocomunicaçãodo Brasil (Aerbras), as companhias que não participaram do certame podem ter menos vantagens competitivas frente aos concorrentes no mercado de 4G.

"Quem garantiu o 700 MHz saiu na frente porque é a tecnologia mais adequada para o ambiente 4G, com menos infraestrutura, é possível cobrir áreas maiores e atender mais assinantes", declarou.

Após o leilão, as ações da Vivo encerraram em baixa de 0,4 por cento, enquanto os papéis da TIM perderam 2,5 por cento ante queda de 0,6 por cento do Ibovespa. A Oi fechou em alta de 1,8 por cento.   Continuação...