Na Coreia do Norte, hackers são uma elite escolhida a dedo

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 10:29 BRST
 

Por Ju-min Park e James B. Kelleher

SEUL (Reuters) - Apesar da pobreza e do isolamento, a Coreia do Norte não tem poupado recursos para sua sofisticada célula de guerra cibernética chamada Bureau 121, de acordo com dissidentes, num momento em que Pyongyang apareceu no centro de um caso de invasão de computadores da Sony Pictures Entertainment.

Um diplomata da Coreia do Norte negou que Pyongyang esteja por trás do ataque, que foi lançado no mês passado, mas uma fonte de segurança nacional dos Estados Unidos disse que os norte-coreanos eram suspeitos. 

Dissidentes da Coreia do Norte disseram que o Bureau 121, composto por alguns dos mais talentosos especialistas em computação do Estado, é parte do Escritório Geral de Reconhecimento, uma agência de espionagem de elite, comandada por militares.

Segundo eles, a divisão está envolvida em uma campanha de hacking patrocinada pelo Estado, utilizada pelo governo de Pyongyang para espionar e sabotar inimigos.

O governo de Pyongyang tem sido ativo em suas capacidades de guerra cibernética, disseram especialistas militares e de segurança de software. Grande parte de seus alvos está na Coreia do Sul, tecnicamente ainda um Estado em guerra com a Coreia do Norte. Mas Pyongyang não faz questão de esconder seu ódio contra os Estados Unidos, que se aliou ao Sul na guerra de 1950 a 1953 na Coreia. 

Hackers militares estão entre as pessoas mais talentosas e recompensadas na Coreia do Norte, escolhidas à mão e treinadas a partir dos 17 anos, disse Jang Se-yul, que estudou com eles no colégio militar do país para ciências computacionais, chamado de Universidade da Automação, antes de desertar para o Sul há seis anos. 

Falando à Reuters em Seul, ele disse que o Bureau 121 compreende cerca de 1.800 combatentes cibernéticos, e é considerada a elite das forças militares. 

“Para eles, a arma mais forte é a cibernética. Na Coreia do Norte, é chamada de Guerra Secreta”, disse Jang.    Continuação...

 
Líder norte-coreano, Kim Jong Un, inspeciona Companhia de Artilharia em foto de divulgação, sem data, da agência de notícias norte-coreana, divulgada em 02/12/2014. REUTERS/KCNA