Lenovo corta 3,2 mil empregos com queda nas vendas e lucro

quinta-feira, 13 de agosto de 2015 10:29 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - O grupo chinês Lenovo irá demitir 10 por cento do seu pessoal administrativo após as vendas da Motorola terem caído em um terço, levantando dúvidas sobre a aposta da gigante de computadores pessoais de que a marca deficitária comprada por quase 3 bilhões de dólares ajudará a companhia a se tornar uma líder global de smartphones.

As ações da maior fabricante de PCs do mundo caíram quase 9 por cento nesta quinta-feira após a empresa divulgar queda de 50 por cento do seu lucro líquido trimestral, com sua divisão de telefonia móvel apresentando prejuízo de quase 300 milhões de dólares. A Lenovo, que usa dólar em suas operações mais do que o recém desvalorizado iuan, disse que planeja cortar cerca de 3.200 postos de trabalho não industriais com um custo único de 600 milhões de dólares.

A Lenovo, sediada em Pequim, disse que a reestruturação pode trazer economia de cerca de 1,35 bilhão de dólares em bases anuais. Mas a dificuldade em vender telefones, combinada ao contínuo encolhimento global do mercado de computadores pessoais, significa que a empresa está encarando seu "mais difícil ambiente de mercado dos últimos anos", alertou o presidente-executivo Yang Yuanqing.

"Eu ainda acredito que a telefonia móvel é o novo negócio que devemos vencer", disse Yang à Reuters, completando que a ambição da Lenovo para rivalizar com a Apple e Samsung em smartphones permanece intacta.

"Eu ainda acredito que a aquisição (da Motorola) foi a decisão correta. Tirando a Apple e a Samsung não há uma terceira empresa (global) forte. Eu acredito que esta será a Lenovo."

A Motorola, comprada do Google no ano passado por 2,91 bilhões de dólares, teve envios de 5,9 milhões de aparelhos celulares no trimestre, queda de 31 por cento em comparação com o ano anterior. Yang citou vendas fracas no Brasil e China, dizendo que a Lenovo deve priorizar a comercialização de smartphones fora de seu mercado doméstico, onde a saturação e a guerra de preços têm prejudicado empresas desde a Samsung até a startup chinesa Xiaomi.

(Por Gerry Shih)