Apple contrata mais, mas encara obstáculos para fazer celulares mais inteligentes

segunda-feira, 7 de setembro de 2015 12:25 BRT
 

Por Julia Love

(Reuters) - A Apple aumentou a contratação de especialistas em inteligência artificial (AI, na sigla em inglês), recrutando talentos em programas de pós-doutorado, publicando dezenas de listas de vagas e ampliando e muito o tamanho de sua equipe de AI, como indica uma análise de agências de emprego e várias fontes confirmam.

O objetivo é desafiar o Google em uma área dominada pelo gigante de buscas na Internet há tempos: recursos de smartphone que dão aos usuários o que eles querem antes de pedirem.

Como parte dessa iniciativa, a empresa atualmente está tentando contratar pelo menos 86 novos funcionários especializados no ramo da AI conhecido como aprendizado de máquina, de acordo com uma análise recente de ofertas de vagas na Apple.

A companhia também tem cortejado mais PhDs em aprendizado de máquina, se juntando a Google, Amazon, Facebook e outros em uma disputa acirrada, afirmam acadêmicos de destaque.

Mas alguns especialistas dizem que a postura rígida da fabricantes do iPhone em relação à privacidade provavelmente irá minar sua capacidade de competir nesse campo, que cresce velozmente.

O aprendizado de máquina, que ajuda dispositivos a inferirem por experiência o que os usuários podem querer no futuro, depende da análise de imensas quantidades de dados para proporcionar serviços não-solicitados, como resultados de jogos de um time favorito ou lembretes de quando sair para um compromisso baseando-se no trânsito.

Quanto maior o universo de usuários fornecendo dados sobre seus hábitos, melhores podem ser as previsões sobre o que um indivíduo pode desejar. Mas a Apple analisa o comportamento de seus usuários com limites auto-impostos para proteger melhor seus dados contra intrusos.

Isso significa que a Apple depende em grande parte da análise de informações do iPhone de cada usuário ao invés de enviá-las para a nuvem, onde podem ser estudadas ao lado de informações de milhões de outras pessoas.

“Eles querem fazer um telefone que reaja a você muito rapidamente sem conhecimento do resto do mundo”, disse Joseph Gonzalez, co-fundador da Dato, uma startup de aprendizado de máquina.

“É mais difícil fazê-lo.”