Brasil quer ampliar conectividade da Internet com Europa, diz Telebras

sexta-feira, 18 de setembro de 2015 12:49 BRT
 

Por Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil quer reduzir a dependência dos Estados Unidos para sua conexão com a Internet e ficar apto para hospedar centrais globais de dados de grandes usuários como YouTube e Netflix, disse o presidente-executivo da Telebras, Jorge Bittar.

No momento, todos os cabos de fibra óptica submarinos que conectam o Brasil à Internet o fazem através dos Estados-Unidos.

E isso é um risco à segurança em um mundo "pós-Snowden", disse Bittar, se referindo às revelações de 2013 do ex-analista da Agência Nacional de Segurança norte-americana Edward Snowden, que incluíram espionagem da agência norte-americana contra a presidente Dilma Rousseff e outros brasileiros.

Em uma ação para o final do próximo ano que levará Internet para cantos remotos do país, a transportadora espacial europeia Arianespace lançará um satélite geoestacionário para o Brasil da Guiana Francesa, com uma taxa de transferência de 56 gigabytes por segundo.

Em 2017, um cabo submarino com capacidade de mais de 30 terebytes por segundo vai abrir um canal de alta velocidade para Portugal, permitindo que astrônomos europeus possam ver as estrelas através de telescópios no Chile.

"O cabo submarino nos dará maior segurança e mais agilidade nas comunicações com a Europa", disse Bittar.

O escândalo sobre a espionagem promovida pelos EUA fez o Brasil comprar o satélite da francesa Thales em vez de uma companhia norte-americana.

O Brasil já pagou metade de seu custo de 654 milhões de dólares e está construindo infraestrutura para conectar o país. A compra não foi atingida pelos recentes cortes promovido pelo governo federal nas despesas porque uma das prioridades de Dilma é disseminar a banda larga pelo país, disse Bittar.

O cabo de fibra ótica terá 5.875 quilômetros e será chamado de EulaLink. Ele vai se estender de Fortaleza a Lisboa e será instalado por uma joint-venture entre a Telebras e a espanhola IslaLink, a um custo de 185 milhões de dólares financiado pela União Europeia.