Crescimento da Internet diminui e maioria das pessoas ainda está fora da rede, diz ONU

segunda-feira, 21 de setembro de 2015 09:45 BRT
 

Por Tom Miles

GENEBRA (Reuters) - O crescimento no número de pessoas com acesso à Internet está diminuindo, e mais de metade da população do mundo ainda está fora da rede, disse a Comissão de Banda Larga da Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira.

O acesso à internet em economias ricas está atingindo níveis de saturação, mas 90 por cento das pessoas nos 48 países mais pobres não têm nenhuma forma de conexão, disse o relatório.

A taxa de crescimento do acesso deverá ficar em 8,1 por cento este ano, uma queda em relação a 2014, quando ficou em 8,6 por cento. Até 2012, as taxas de crescimento tinham ficado em dois dígitos por muitos anos. "Chegamos a um ponto de transição no crescimento da Internet", assinala o relatório.

A comissão, criada em 2010 pela União Internacional das Telecomunicações e a Unesco – a agência científica e cultural da ONU –, disse ser improvável que a marca de quatro mil milhões de usuários de Internet seja alcançada antes de 2020. O texto observa ainda que o crescimento no aumento do número de assinantes do Facebook está ultrapassando o da Internet.

"Mais da metade da população mundial - cerca de 57 por cento, ou mais de 4 bilhões de pessoas - ainda não usa a Internet regular ou ativamente", diz o relatório, que culpa o custo de estender a infraestrutura de última geração para clientes rurais e remotos, e uma forte desaceleração no crescimento da aquisição de celulares em nível mundial.

Até o final deste ano, 3,2 bilhões de pessoas terão alguma forma de acesso regular à Internet, em contraposição aos 2,9 bilhões de 2014. Isso representa 43,4 por cento da população do mundo, ainda muito aquém da meta de 60 por cento fixada pela ONU para 2020.

As mulheres nos países mais pobres estão particularmente em desvantagem, disse o relatório. No mundo em desenvolvimento, 25 por cento menos mulheres do que homens tinham acesso à Internet, um porcentual que sobe para 50 por cento em algumas partes da África subsaariana.