Crise interrompe tendência de uso de vários chips por celular no Brasil

sexta-feira, 9 de outubro de 2015 12:08 BRT
 

Por Luciana Bruno

SÃO PAULO (Reuters) - A situação de fraqueza econômica e a tendência de maior uso de aplicativos de mensagens pela Internet têm contribuído para a queda da base de linhas celulares em uso no Brasil, uma tendência que deve permanecer pelo menos até o fim deste ano, segundo analistas.

A redução da base total é provocada por uma queda no número de celulares pré-pagos, que não está sendo compensada em volume pelo aumento das linhas pós-pagas.

Segundo especialistas, esse fenômeno ocorre porque muitos dos usuários que tinham chips das quatro principais operadoras para economizar com ligações dentro da mesma rede de telefonia estão optando por ficar apenas com um ou dois chips que utilizam mais, de forma a não terem de recarregar sazonalmente todos eles com crédito.

Além disso, o uso cada vez mais disseminado de aplicativos de mensagens pela Internet como Whatsapp, que atrela as conversas dos usuários a um único número de telefone, acaba intensificando a tendência de redução do número de chips por usuário.

"O mercado de celular brasileiro já está saturado, estamos com penetração de 148 por cento", disse Ari Lopes, analista da consultoria de telecomunicações Ovum.

"É muito comum as pessoas terem dois ou três chips. Agora, estão desconectando o segundo e o terceiro, por conta do maior uso de mensagens (pela Internet)", completou Lopes.

Na quinta-feira, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que a base de telefonia celular do Brasil em agosto voltou a cair, com o número de linhas móveis recuando em 1,42 milhão sobre julho e encerrando o mês em cerca de 280 milhões.

O recuo foi o terceiro consecutivo desde maio, em um movimento em que as operadoras estão vendo redução da base de linhas pré-pagas, menos rentáveis que as pós-pagas. Desde maio, a base total do país teve redução de 4,132 milhões de linhas celulares.   Continuação...