28 de Janeiro de 2016 / às 13:30 / 2 anos atrás

CENÁRIOS-Operadoras disputam clientes pré-pagos diante de queda do uso de vários chips

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As operadoras de telecomunicações têm adotado diferentes estratégias para conquistar ou manter clientes pré-pagos, que diante da crise econômica e do uso mais frequente do aplicativo WhatsApp vêm reduzindo o número de chips em uso por aparelho, optando por colocar créditos em apenas uma linha de celular.

Números da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que o segmento pré-pago encolheu em quase 17 milhões de linhas em 2015 até novembro. Em 12 meses até novembro, a queda foi de 8 por cento, para 196,61 milhões. Em 2014, houve adição de 1,5 milhão de linhas na comparação com 2013.

Segundo especialistas, a baixa do ano passado ocorreu devido ao uso mais intenso de aplicativos de mensagens, o que tem feito o usuário cancelar o segundo chip. Um executivo de uma das principais operadoras do país calcula que em 2014 de 30 a 35 por cento dos clientes pré-pagos tinham mais de um chip em uso, percentual que caiu para 20 a 25 por cento em 2015 e deve continuar diminuindo este ano.

O pré-pago é importante fonte de receita das operadoras, por ainda representar mais de 70 por cento da base de linhas de celulares no Brasil. A consultoria Teleco estima que o segmento pré-pago responde por entre 40 e 60 por cento das receitas de serviços das operadoras.

Apesar da queda no número de linhas pré-pagas, o impacto na receita das empresas do setor tem sido mitigado por medidas adotadas no ano passado, como o corte da Internet após o fim da franquia em vez de apenas a redução da velocidade. Isso faz com que o cliente tenha de realizar mais recargas de dados para continuar usando a Internet no celular.

Segundo a Teleco, as quatro principais operadoras perderam 1,4 por cento de sua base de celulares total entre setembro de 2014 e o mesmo mês de 2015, mas a receita líquida de serviços subiu 0,5 por cento no mesmo intervalo.

Enquanto Oi e TIM implantaram tarifa única nas ligações para outras operadoras, reduzindo o chamado “efeito clube” --em que o usuário só liga para celulares da mesma empresa--, Vivo e Claro optaram por iniciativas de banda larga para clientes interessados em ter mais acesso a dados.

ESTRATÉGIAS

Até o terceiro trimestre de 2015, a Vivo sentia poucos efeitos da redução de 7 por cento de sua base pré-paga ano contra ano, uma vez que sua receita líquida móvel subiu 6,2 por cento no período.

A Vivo é líder no pós-pago e tem a menor fatia de linhas pré-pagas em sua base, com 62 por cento. Claro, TIM e Oi possuem 77, 81 e 82 por cento, respectivamente, de acordo com a Teleco.

A estratégia da Vivo para ganhar e reter clientes pré-pagos está sendo investir em ações comerciais e apostar no apelo de sua rede de cobertura 3G e 4G, disse à Reuters o vice-presidente de marketing e serviços móveis da empresa, Marcio Fabbris.

A operadora, porém, descarta a possibilidade de igualar as tarifas das ligações para celulares de empresas rivais, como foi feito por TIM e Oi.

“Acreditamos que o que conta para o cliente nos escolher não é mais os minutos de ligações, mas a Internet”, disse Fabbris, endossando que as taxas de interconexão entre operadoras, apesar da queda gradual promovida pela Anatel, continuam altas.

Em novembro, a Vivo lançou novos planos com franquias semanais maiores de Internet, de 200 MB e 400 MB, frente às de 75 MB e 150 MB anteriores para os planos pré-pagos.

Estratégia semelhante está sendo adotada pela Claro, do grupo América Móvil. Segundo o diretor de marketing da operadora, Rodrigo Vidigal, “hoje o consumidor quer Internet”. “Por isso, estamos oferecendo ofertas melhores (de dados), queremos trazer essa receita (para a empresa)”, declarou.

A Claro permite acesso às redes sociais Facebook, Twitter e WhatsApp sem desconto na franquia de dados do cliente. A operadora aposta que o acesso a esses aplicativos incrementa o uso de dados como um todo. “Por mais que estejamos abrindo mão de receita (com o acesso grátis), aproveitamos o crescimento de dados”, disse Vidigal.

“Entendemos que o usuário pré-pago de dados é usuário recente de smartphone e é muito sensível a custo. Isso permite que ele utilize de forma mais intensa e passe a conhecer outros serviços.”

A Oi teve uma queda de 4 por cento de sua base de celulares pré-pagos no terceiro trimestre de 2015 contra um ano antes, mas sua receita líquida de serviços, que exclui a venda de aparelhos, subiu quase 1 por cento.

Para o diretor de produtos e mobilidade da Oi, Roberto Guenzburger, a redução da base de usuários foi acompanhada de aumento do tíquete médio de recarga. No terceiro trimestre, as recargas do pré-pago na Oi tiveram alta de 1,9 por cento sobre um ano antes. Em seu balanço, a empresa citou o corte da Internet após o fim da franquia de dados como um dos fatores que contribuíram para a alta.

“Agora, em vez de briga competitiva pelo crescimento da base, existe uma disputa pela consolidação do chip”, disse Guenzburger. “Ganha quem tiver oferta mais abrangente”, completou.

Procurada, a operadora TIM informou por e-mail considerar que o cancelamento de linhas pré-pagas é movimento natural do mercado e que, nesse cenário, o foco da indústria passa a ser o “valor associado a cada usuário” em vez do volume de linhas.

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