Comitê da ONU dirá que Assange está "detido arbitrariamente" na embaixada do Equador em Londres

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016 14:05 BRST
 

Por Johan Ahlander e Guy Faulconbridge

ESTOCOLMO/LONDRES (Reuters) - A permanência de três anos e meio do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na embaixada do Equador em Londres para evitar uma investigação de estupro na Suécia equivale a uma "detenção arbitrária", irá afirmar na sexta-feira um comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) que examina um apelo do australiano.

Assange, ex-hacker que se encontra abrigado na representação diplomática equatoriana desde junho de 2012, disse ao Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da ONU que é um refugiado político cujos direitos foram infringidos, uma vez que não pôde pedir asilo no Equador.

"O grupo de trabalho (da ONU) julgou que Assange foi detido arbitrariamente em transgressão a compromissos internacionais", disse uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Suécia, confirmando uma reportagem da BBC.

A ONU disse apenas que o veredicto de seu organismo, que não implica em cumprimento obrigatório, deve ser publicado na sexta-feira. A polícia britânica disse que Assange será preso se sair da embaixada.

O australiano, de 44 anos, é investigado na Suécia a respeito de alegações de estupro em 2010, as quais ele nega.

"Caso a ONU anuncie amanhã que perdi meu caso contra a Grã-Bretanha e a Suécia, deixarei a embaixada ao meio-dia de sexta-feira para aceitar o aprisionamento da polícia britânica, já que não há perspectiva significativa de novas apelações", disse Assange em um comunicado na conta do WikiLeaks no Twitter.

"Entretanto, caso eu prevaleça e seja considerado que os organismos dos Estados agiram ilegalmente, conto com a devolução imediata de meu passaporte e com o encerramento de novas tentativas de me prender", acrescentou.

Uma decisão a seu favor representaria o fato mais recente de uma jornada tumultuada para Assange desde que ele causou revolta nos Estados Unidos e em seus aliados por usar o WikiLeaks para vazar centenas de milhares de comunicações diplomáticas e militares secretas seis anos atrás, revelações que causaram muitos constrangimentos a Washington.   Continuação...

 
Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na varanda da embaixada do Equador em Londres. 19/08/2012 REUTERS/Olivia Harris