Com mercado de crédito estagnado, Serasa Experian explora novas frentes no Brasil

quarta-feira, 30 de março de 2016 17:33 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A empresa de análise de dados de crédito Serasa Experian está intensificando esforços para diversificar suas fontes de receita no Brasil, na esteira da estagnação dos empréstimos e da demora para deslanchar o Cadastro Positivo, sua maior aposta nos últimos anos.

A partir de seu laboratório em São Carlos (SP), a companhia está usando tecnologia de análise de grandes volumes de dados para municiar campanhas de mídia dirigida de grandes empresas, prevenção de desastres como enchentes para seguradoras e soluções de infraestrutura urbana.

"A Serasa foi durante muito tempo monopolista e não precisava se preocupar com inovação", disse à Reuters o presidente da companhia, José Luiz Rossi. "Agora estamos tendo que nos reinventar."

Comprada pela britânica Experian em 2007, no meio de um ciclo histórico de expansão do crédito no Brasil, a então Serasa era controlada por grandes bancos brasileiros e especializada em ferramentas de análise de empréstimos, segmento do qual ainda é a líder na América Latina.

Nos últimos anos, porém, a contínua desaceleração dos financiamentos no país, a frustração com o Cadastro Positivo e, mais recentemente, a forte desvalorização do real, tem pesado nos resultados da companhia.

No trimestre fechado em dezembro último, a receita da companhia na América Latina (a empresa não detalha números do Brasil), caiu 29 por cento sobre um ano antes, em dólares, devido sobretudo à desvalorização cambial.

Simultaneamente, o Cadastro Positivo, regulamentado no país em 2013 e que permite que tomadores de financiamento com bom histórico de adimplência tomem crédito a custos menores, não deslanchou, contrariando previsões da indústria financeira de que o sistema seria o principal motor para uma nova fase de expansão dos empréstimos nos país.

A Serasa Experian, que opera o sistema do cadastro positivo em parceria com a rival Boa Vista Serviços, tem pouco mais de 3 milhões de consumidores que pediram inclusão no sistema. Para efeito comparativo, o Brasil tem mais de 100 milhões de correntistas.   Continuação...