Vivo pode criar planos com limite de dados para banda larga fixa em um ou 2 anos, diz presidente

segunda-feira, 18 de abril de 2016 16:26 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo de telecomunicações Telefônica Brasil, que atua sob a marca Vivo, pode criar planos de banda larga com volume fixo de transferência de dados por mês nos próximos um a dois anos, afirmou nesta segunda-feira o presidente-executivo da companhia, Amos Genish, em fórum com empresários.

Nos últimos dias, as operadoras de telecomunicações do país têm sido criticadas por planos de fazerem na banda larga fixa o que algumas já fazem na telefonia móvel: limitar o quanto de dados os usuários podem trafegar por mês. Caso o limite seja ultrapassado, a conexão é cortada ou tem velocidade drasticamente reduzida, obrigando os clientes a pagarem tarifas adicionais para restabelecerem o uso normal.

Entidades de defesa dos direitos dos consumidores têm se manifestado contra os planos das operadoras. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), por exemplo, afirma que os contratos que preveem desconexão da Internet após o usuário atingir o limite da franquia são ilegais, violando o Marco Civil da Internet brasileira.

Porém, para o presidente da Telefônica Brasil, os planos de dados limitados podem ser mais justos com consumidores que não trafegam volume grande de dados, ao permitir à empresa a cobrança de um valor específico pela utilização deles, em vez de cobrar uma média de preço. "Franquias podem ajudar a quem não tem condições de pagar o preço médio (pela banda larga)", disse o executivo no evento.

Segundo Genish, atualmente 4 por cento da base de usuários de banda larga fixa da Vivo no Brasil usam 25 por cento da capacidade de dados da operadora, enquanto 20 por cento deles usam 5 por cento dessa capacidade. Ele não deu detalhes.

"É injusto que pessoas que usem pouco paguem o mesmo que as pessoas que usem muito", disse Genish.

Mais cedo, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) emitiu regulamentação obrigando as operadoras a criarem ferramentas que permitam aos clientes de serviços de banda larga fixa controlarem o consumo de suas franquias sob pena de não poderem praticarem redução de velocidade ou corte da conexão quando o limite de dados é atingido.

A norma foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira depois que o ministro das Comunicações, André Figueiredo, cobrou da agência para adotar medidas para que as operadoras respeitem o direito dos consumidores.

Questionado sobre a norma publicada pela Anatel, o presidente da Telefônica Brasil, companhia controlada pela espanhola Telefónica, afirmou que tratou-se de um "reforço sobre o que já existe" em termos de regulamentação do setor.   Continuação...