CEO do Facebook clama por direito à livre comunicação no Brasil após WhatsApp ser desbloqueado

terça-feira, 3 de maio de 2016 20:25 BRT
 

Por Natalia Scalzaretto e Pedro Fonseca

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O fundador e presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, pediu nesta terça-feira que os brasileiros batalhem para o WhatsApp não voltar a ser suspenso no país, após o aplicativo de mensagens ter ficado bloqueado por 24h devido a uma decisão judicial.

Em uma mensagem em sua página na rede social que criou, Zuckerberg saudou a liberação do WhatsApp no país, mas afirmou que "é muito assustadora em uma democracia" a ideia de que a população possa ter negado o direito à liberdade de comunicação.

"Os brasileiros estão entre os líderes na tarefa de conectar o mundo e criar uma Internet aberta há muitos anos. Eu espero que vocês expressem sua opinião e exijam mudanças", escreveu Zuckerberg.

Ele conclamou que pessoas compareçam ao Congresso no fim da tarde de quarta-feira, onde a recém-formada Frente Parlamentar pela Internet Livre apresentará projetos de lei para evitar o bloqueio de serviços de Internet como o WhatsApp, que pertence ao Facebook.

Além disso, pediu assinaturas em petição online contra propostas debatidas na CPI dos Crimes Cibernéticos.

O bloqueio do WhatsApp foi determinado na segunda-feira a partir das 14h em todo o Brasil pelo juiz Marcel Maia Montalvão, titular da vara criminal da cidade sergipana de Lagarto, afetando cerca de 100 milhões de usuários. Pela decisão, o aplicativo deveria ficar suspenso por 72h.

Dois meses antes, o mesmo juiz mandou prender o vice-presidente do Facebook para a América Latina, Diego Dzodan, por descumprimento de ordem judicial que pedia quebra de sigilo de mensagens trocadas pelo WhatsApp, como parte da obtenção de provas em processo de tráfico de drogas interestadual que corre em segredo de justiça.

O WhatsApp afirma que não armazena conversas dos usuários e que não tem como entregar os dados exigidos pela justiça.   Continuação...

 
Fundador e presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg. 12/04/2016. REUTERS/Stephen Lam