Acordo trabalhista do Uber nos EUA divide opiniões

segunda-feira, 23 de maio de 2016 14:27 BRT
 

(Reuters) - A Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores da Indústria Aeroespacial elogiou um acordo alcançado neste mês para representar motoristas que trabalham para o Uber em Nova York, afirmando que ele dá ao trabalho organizado uma oportunidade para redefinir a nova economia de maneira a apoiar os trabalhadores e suas famílias.

Mas nem todo mundo no movimento sindical norte-americano está comemorando.

O acordo não prevê uma representação sindical de fato para os trabalhadores e revelou duras divisões entre os defensores de trabalhadores sobre como lidar com a chamada economia do bico, do trabalho informal, e a classificação de trabalhadores como empreendedores independentes em vez de funcionários.

Sob os termos do acordo com a Uber Technologies, a associação vai formar um "sindicato de motoristas independentes" que será capaz de intervir em nome dos motoristas que tiverem serviços cancelados ou negociar benefícios a eles, como seguros.

A associação também concordou em conter por cinco anos ações desde organizar greves ou sindicalizar motoristas e afirmou que não vai pressionar reguladores para mudar o status de motoristas de terceirizados para funcionários.

Bhairavi Desai, uma diretora executiva da Aliança de Trabalhadores em Táxis de Nova York, criticou o acordo como uma "traição histórica" porque ele desiste das mais importantes ferramentas de poder econômico.

Ela afirmou que ela e sua organização estavam em negociações com a associação dos maquinistas sobre colaboração para uma campanha de sindicalização dos motoristas antes do acordo com o Uber. Os maquinistas tinham conseguido anteriormente organizar serviços de motoristas de carros e Desai afirmou que seu grupo acreditava que um caminho similar seria alcançado pelos motoristas do Uber.

As companhias de aplicativos de transporte urbano afirmam que a terceirização, em vez de tornar os motoristas empregados diretos, mantém os custos baixos e permite a flexibilidade que os motoristas afirmam que querem.

Mas terceirizados não possuem as mesmas proteções legais que funcionários têm, incluindo salário mínimo e pagamento de hora extra.   Continuação...