Odores são a nova fronteira dos sensores inteligentes

quinta-feira, 23 de junho de 2016 16:27 BRT
 

CINGAPURA (Reuters) - Telefones ou relógios podem ser espertos o suficiente para detectar sons, luzes, movimentos, toques, direções, acelerações e até mesmo as condições climáticas, mas eles não podem cheirar.

Isto criou um gargalo tecnológico que as empresas passaram mais de uma década tentando preencher. A maioria não conseguiu.

Um poderoso nariz portátil, diz o investidor de risco que financia empresas iniciantes Redg Snodgrass, abriria novos horizontes para saúde, alimentação, higiene pessoal e mesmo segurança.

Imagine, diz ele, ser capaz de analisar o que alguém comeu ou bebeu baseado nas indicações químicas que a pessoa emite; detectar doenças em estágio inicial através de um aplicativo ou sentir o cheiro do medo em um potencial terrorista. "Odor", ele diz, "é uma importante peça" do quebra-cabeças.

Não é por falta de tentativas. Projetos abortados e empresas que fracassaram se acumulam no cenário dos sensores de aromas. Mas isto não impediu os novatos de tentar.

Como a Aryballe Technologies, de Tristan Rousselle, que recentemente exibiu um protótipo do NeOse, um dispositivo portátil que ele diz que inicialmente detectará até 50 odores comuns. "É um projeto arriscado. Há coisas mais simples para se fazer na vida", disse ele.

O problema, afirma o engenheiro químico David Edwards, da Universidade de Harvard, é que diferentemente de luz e som, aroma não é uma energia, mas sim é vinculada à massa. "É um tipo muito diferente de sinal", diz ele. Isto significa que cada aroma exige um tipo diferente de sensor, o que torna os dispositivos grandes e com capacidades limitadas.

"A biologia do olfato ainda é uma fronteira da ciência, muito conectada à fronteira da neurociência", diz o engenheiro químico Edwards.

A francesa Alpha MOS foi a primeira a desenvolver narizes eletrônicos para uso industrial limitado, mas seu investimento no desenvolvimento de um modelo menor, mas com mais capacidade não deu resultados. Após um ano desenvolvendo um protótipo para um dispositivo que permitiria que smartphones detectassem e analisassem aromas, o site da do braço norte-americano da empresa, Boyd Sense, saiu do ar e nenhuma das empresas respondeu a emails pedindo comentários sobre o projeto.   Continuação...