"A vida vale mais que um pokémon", dizem jogadores da Venezuela

quarta-feira, 10 de agosto de 2016 16:30 BRT
 

CARACAS (Reuters) - Um jogador de Pokémon Go esconde seu celular entre as páginas de um exemplar de um romance francês do século XIX, esperando evitar criminosos nas notoriamente perigosas ruas da Venezuela.

"Uso o livro para esconder o telefone. Tenho medo da insegurança, mas eu quero ser um mestre Pokémon!", disse Carlos Reina, jogador de 22 anos andando por Caracas com uma cópia de "Eugênia Grandet", de Horoné de Balzac.

O aplicativo Pokémon Go, baseado no popular jogo e desenho para TV, usa realidade aumentada para fazer com que os jogadores procurem os personagens nas ruas, escritórios e parques das cidades.

Na Venezuela, um país que inundado com armas ilegais e que tem uma das maiores taxas de homicídios do mundo, os celulares inteligentes se tornaram atraentes para ladrões, já que a inflação de três dígitos torna o dinheiro inútil.

Luis Vargas, um empreendedor de 30 anos que administra um fã clube do Pokémon Go na cidade de Valência disse: "Seu celular e sua vida valem mais que um pokémon".

"O mundo real ainda existe e nós temos que ter cuidado, ainda mais em nosso país", disse ele.

Um meme popular no Twitter mostra um celular com a imagem de um homem apontando uma pistola e uma legenda que diz: "Este será o primeiro Pokémon que você encontrar na Venezuela. Você não terá que andar muito."

O presidente socialista Nicolás Maduro mencionou o jogo como parte de críticas mais amplas à sociedade de consumo.

"Há um novo jogo por ai, o Pokémon Go, você sabe que? Milhares de jovens vivendo a realidade virtual, quando se trata de matar e matar", disse Maduro na televisão estatal.   Continuação...

 
Carlos Reina joga "Pokémon Go" com celular camuflado em um livro, em Caracas 9/09/2016. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins