ESTREIA–“Tô Ryca” desperdiça o humor de Samantha Schmütz

quarta-feira, 21 de setembro de 2016 16:53 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A comédia “Tô Ryca” é uma espécie de versão feminina de “Um Suburbano Sortudo”, que fez sucesso no começo do ano, e trazia Rodrigo Sant’Anna como um pobretão que ganha uma herança inesperada e precisa aprender a ser rico. Ao final, descobre que os verdadeiros valores e amigos não são comprados com dinheiro.

A pobre da vez aqui é Selminha (Samantha Schmütz), frentista carioca sem qualquer sorte na vida, a não ser sua melhor amiga, Luana (Katiuscia Canoro), vizinha e colega de trabalho com quem divide a bomba do posto de gasolina e as tristezas do cotidiano sem qualquer conforto. Um tio desconhecido (também interpretado por Samantha) à beira da morte gravou um vídeo deixando uma herança para a protagonista. Mas para recebê-la, ela precisa gastar 30 milhões de reais em 30 dias e não pode ficar com nada.

Longe de ser uma premissa original, “Tô Ryca” tem, ao menos, duas atrizes com talento para o humor, mas, mal servidas pelo roteiro escrito de Fil Braz, que as desperdiça em situações sem muita graça e óbvias. Selminha e Luana se hospedam num hotel de luxo, nas suítes mais caras, compram comida, fazem esportes radicais, vão a baladas e pagam a conta de todo mundo. Assim segue até a metade do longa, quando a protagonista não gastou nem um terço do que devia, e ainda tem meio filme para continuar.

A saída é transformar Selminha do dia para a noite em candidata a prefeita do Rio de Janeiro, batendo de frente com Falácio Fausto (Marcelo Adnet, outro desperdício aqui), candidato conservador e religioso que faz discursos contra minorias em prol da família. Enfim, não fosse a política brasileira o que é, seria um personagem talvez engraçado.

Há também uma trama romântica pífia envolvendo Luana e um borracheiro (Anderson di Rizzi), mutuamente apaixonados, mas que vivem brigando por mensagens de texto. Além deles, há dois fiscais (Fabiana Karla e Marcus Majella) que acompanham Selminha para que ela faça tudo conforme as regras estabelecidas no testamento. Seriam personagens engraçados, mas parecem apenas uma caricatura de outros que a dupla já fez na televisão. O que não é muito diferente do que acontece com Samantha, que faz uma espécie de versão ainda mais pobre de Jéssica, seu personagem em “Vai que Cola”.

Dirigido por Pedro Antônio – que tem no currículo humorísticos de televisão como “Não tá fácil pra ninguém” (também protagonizado por Samantha) –, a qualidade de “Tô Ryca” é não apelar para escatologias e humor rasteiro, como o próprio “Um suburbano sortudo”.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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