Debate sobre aplicativos de transporte na eleição de SP preocupa empresas do setor

quarta-feira, 28 de setembro de 2016 15:23 BRT
 

Por Natalia Scalzaretto

SÃO PAULO (Reuters) - Empresas de aplicativos de transporte estão preocupadas com a discussão entre candidatos a prefeito de São Paulo sobre o funcionamento desta ferramenta na cidade e temem alterações na regulamentação vigente e até mesmo a proibição de serviços, disseram companhias do setor consultadas pela Reuters.

Três dos quatro principais candidatos na disputa paulistana já defenderam publicamente alterações nas regras aprovadas este ano pelo prefeito Fernando Haddad (PT), que tenta a reeleição e ocupa a quarta posição nas pesquisas de intenção de voto, mas especialistas criticam a falta de detalhamento dessas propostas.

Empresas como Cabify e 99 já estão operando na capital paulista e manifestaram preocupação com um eventual fortalecimento excessivo da regulamentação, mudanças na tributação e até o fim do serviço na capital. Procurada, a norte-americana Uber, umas das líderes do setor, não se manifestou sobre as propostas dos candidatos.

O modelo atual de operações foi definido em maio deste ano por meio de decreto editado pelo governo Haddad e conta com o apoio da 99 e da Cabify. Ele prevê como principal regra uma cobrança de até 0,10 real por quilômetro das empresas que gerenciam os aplicativos. À época da edição do decreto, a Uber classificou a medida como "um primeiro passo" para a operação dos aplicativos.

Primeiro candidato a se manifestar sobre os aplicativos ainda no início da campanha, Celso Russomanno (PRB) chegou a afirmar que a Uber "está na ilegalidade". Após repercussão negativa, no entanto, o candidato chegou a divulgar vídeo nas redes sociais negando a intenção de proibir o aplicativo e defendendo regulamentar o serviço.

Em declaração à Reuters, a campanha de Russomanno, atualmente o segundo colocado nas pesquisas, reiterou que, em um possível governo, não há intenção de proibir o Uber e os demais aplicativos, e sim de regulamentá-los sob condições que não prejudiquem os outros meios de transporte na cidade.

"Pretendo revisar a regulamentação, dando mais equilíbrio para o transporte individual na cidade e garantindo plenos direitos a trabalhadores do segmento e cidadãos que utilizam o serviço", disse a equipe do candidato.

Outros candidatos, como João Doria (PSDB) e Marta Suplicy (PMDB), também fizeram propostas sobre o funcionamento dos aplicativos de transporte.   Continuação...