Positivo insistirá em licitações para notebook de US$100

quinta-feira, 3 de abril de 2008 18:10 BRT
 

Por Maurício Savarese e Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar do adiamento da licitação do governo federal para o chamado laptop de 100 dólares, a Positivo Informática insistirá em marcar presença nesse mercado em toda a América Latina, disse nesta quinta-feira o presidente da empresa, Hélio Rotenberg, que participou do Reuters Latin America Investment Summit.

Segundo o executivo, a empresa participará das licitações desse tipo que devem acontecer nos próximos meses na Argentina e no Uruguai, além da primeira operação do tipo por meio do Ministério da Educação, que prevê encomenda de 150 mil laptops educacionais para o programa "Um Computador por Aluno".

"Nós vamos entrar em todas as licitações de (laptop de) sete polegadas que houver na América Latina. Sem dúvida, vamos tentar", disse Rotenberg. "O que nós não vamos é entrar em um negócio para perder dinheiro e tentar recuperar depois. Isso não existe em tecnologia, porque a tecnologia muda", acrescentou.

"Não adianta vender hoje para um governo por preço subsidiado porque vou recuperar depois. Não vou. Depois vai ter outra licitação", afirmou Rotenberg, que espera para os próximos meses uma nova licitação do Ministério da Educação após a "surpresa" do adiamento da primeira tentativa.

"O governo pediu desconto e nós fomos até o limite de não perder dinheiro e mesmo assim ele não gostou. Com aquelas regras do jogo, não dava para baixar mais. E não é aquele preço público, baixamos bastante nas negociações privadas", disse.

O último preço divulgado pelo governo para o laptop de 100 dólares foi de 654 reais, menor cotação oferecida, o que daria a vitória na licitação para a Positivo.

Rotenberg diz que a renegociação com os fornecedores permitiu um preço de 580 reais, o que da mesma forma não foi aceito pelo governo porque "politicamente houve medo da imprensa" porque o valor estava muito distante dos 100 dólares. "Isso o governo não divulgou e nos doeu muito. O governo não foi correto com a gente", afirmou o executivo.

"Eram 90 milhões de reais de um faturamento que no ano passado foi de 2 bilhões. Esse é o peso para nós, 4 por cento (do faturamento)", completou.   Continuação...