Sony cortará custos para combater iene forte

quinta-feira, 3 de abril de 2008 10:55 BRT
 

Por Baker Li

TAIPÉ (Reuters) - A Sony, fabricante dos consoles de videogame PlayStation e dos computadores Vaio, anunciou na quinta-feira que reduzirá custos e disputará mais encomendas para compensar o impacto negativo da valorização do iene sobre seus lucros.

Um iene mais forte diante do dólar ameaça reduzir lucros da Sony em um momento no qual a empresa já enfrenta dificuldades para melhorar sua margem de lucro nos televisores de tela plana, devido à queda de preços, e para recuperar o atraso com relação à Nintendo no mercado de videogames. "Quando à situação de fraqueza do dólar em médio e longo prazo, já temos uma estratégia para enfrentá-la", disse Ryoji Chubachi, presidente da Sony, em entrevista coletiva em Taipé.

"Reduziremos nossos custos de produção na medida do possível e escolheremos locais de produção para enfrentar a fraqueza do setor; em curto prazo, tentaremos aceitar mais encomendas", disse ele sem acrescentar detalhes.

A rápida valorização do iene e de outras moedas asiáticas diante do dólar prejudicou as exportações da região aos Estados Unidos, um destino de vendas essencial para empresas como a Sony, que obtém três quartos de sua receita de fora do Japão.

Para cada aumento de um iene na cotação cambial diante do dólar, a empresa perde cerca de 6 bilhões de ienes (59 milhões de dólares). Só este ano, a moeda japonesa se valorizou de 111 para 102,5 ienes por dólar, e em determinado momento do mês passado chegou a estar cotada a 95,70 ienes por dólar.

Mitsushige Akino, da Ichiyoshi Investment Management, disse que o fator iene ajudará a determinar a força da empresa. "As empresas competitivas conseguirão enfrentar o iene mais forte, mesmo quando a moeda subir a 85 ienes por dólar, por meio de medidas de corte de custos", afirmou.

"Mas ainda precisamos esperar para ver se a Sony poderá ser enquadrada nesse grupo", disse Akino.

A Sony, que concorre com a Samsung Electronics e a Sharp nos TVs de tela plana, demitiu 10 mil funcionários e vendeu diversos ativos não essenciais, nos últimos anos.