Oferta de música ilimitada da Nokia revira mercado

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007 12:07 BRST
 

Por Georgina Prodhan e Tarmo Virki

FRANKFURT/AMSTERDÃ (Reuters) - O plano da Nokia para oferecer downloads de música ilimitados desafia o modelo atual do segmento, baseado em venda de faixas individuais, e provavelmente vai incomodar as operadoras de telefonia móvel, que já estão preocupadas com a possível exploração pela Nokia de seu relacionamento com clientes.

A maior produtora mundial de celulares anunciou na terça-feira um acordo com a maior gravadora do mundo, a Universal, que dará aos usuários de aparelhos específicos da empresa acesso a milhões de canções, por um ano. O acordo também permite que os usuários fiquem com as faixas que baixaram depois do prazo de um ano.

A Nokia espera que o acordo com o Universal Music Group, subsidiária da Vivendi e gravadora de artistas e grupos como 50 Cent, Sting e Mariah Carey, seja seguido por acordos com as três outras grandes gravadoras internacionais, como resultado de negociações que já estão em curso.

Modelos de download ilimitado como esse poderiam reanimar o setor de música, que vem encontrando dificuldade para descobrir maneiras de compensar a queda nas vendas de CDs -tarefa que as lojas online de música que vendem faixas individuais, como a iTunes, da Apple, até agora não conseguiram realizar.

"Infelizmente, parece que a única maneira de promover a adoção da música digital no mercado de massa será distribui-la gratuitamente, ou quase de graça", escreveu Mark Mulligan, analista da Jupiter Research, em seu blog.

"Mas se a alternativa for download gratuito de redes ilegais, gerando lucro zero para as gravadoras, não é difícil determinar qual é a opção preferida das empresas", acrescentou.

A Understanding & Solutions, uma empresa de pesquisa, estima que a música para aparelhos móveis represente cerca de 13 por cento do valor mundial do mercado de música gravada. O grupo projeta que o segmento deve ter seu movimento ampliado para 11 bilhões de dólares em 2011.

A Nokia e a Universal não revelaram os termos do acordo, mas Rob Wells, que comanda as operações digitais da Universal, disse à Reuters que "a menos que houvesse dinheiro suficiente para a maior gravadora do mundo, não teríamos concordado com a transação."   Continuação...