Com manobra no conselho, Yahoo ganha tempo contra a Microsoft

quarta-feira, 5 de março de 2008 15:21 BRT
 

NOVA YORK (Reuters) - O Yahoo prorrogou o prazo de nomeação de diretores para seu conselho, o que lhe oferece tempo para procurar alternativas ou negociar termos mais amistosos quanto à oferta de aquisição de 41,7 bilhões de dólares apresentada pela Microsoft .

O prazo original, 14 de março, poderia ter colocado a Microsoft e o Yahoo em uma disputa de acionistas, na semana que vem. Em lugar disso, o Yahoo anunciou na quarta-feira que o prazo limite se esgotará 10 dias depois do anúncio da data de sua assembléia anual de acionistas, que ainda não foi marcada.

O Yahoo tem explorado possíveis uniões com diversas outras empresas de mídia e Internet, o que lhe permitiria deter mais independência. As negociações quanto a um possível acordo com a divisão America Online da Time Warner se intensificaram, de acordo com uma pessoa informada sobre o assunto.

"Isso é uma indicação de que o Yahoo talvez seja menos receptivo à oferta da Microsoft do que as pessoas acreditavam inicialmente", disse o analista Jeffrey Lindsay, da Sanford C. Bernstein, em referência à prorrogação.

"Parece que eles conseguiram ganhar algumas semanas ao propor esse adiamento", ele disse. "Provavelmente a decisão representa o máximo que podem fazer sem incorrer na má vontade de seus acionistas."

Depois de mais de um ano de negociações intermitentes, o Yahoo rejeitou uma oferta que a Microsoft anunciou publicamente em 1o de fevereiro, sob a qual as ações do Yahoo foram avaliadas em 31 dólares, em uma transação que seria paga em ações e em d nheiro. Tomando por base os preços atuais das ações, o acordo avaliaria o Yahoo a 27 dólares por ação.

As ações do Yahoo subiam 2,2 por cento, para 28,68 dólares, nesta tarde, indicando que os investidores continuam a esperar que a Microsoft melhore sua proposta. As ações da Microsoft subiam em 2,5 por cento, para 28,27 dólares.

Jerry Yang, presidente-executivo do Yahoo, afirmou em mensagem aos funcionários que a prorrogação ainda assim permitiria que a Microsoft indicasse representantes para o conselho, mas que o objetivo era propiciar margem de manobra ao grupo.

(Reportagem de Sinead Carew, Tiffany Wu, Michele Gershberg e Kenneth)