6 de Maio de 2008 / às 15:47 / 9 anos atrás

Com incentivo fiscal, EMC começa a produzir no Brasil

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de um ano de negociações com o governo para incluir equipamentos de armazenamento de dados na Lei de Informática, a norte-americana EMC anunciou nesta terça-feira a decisão de produzir parte de seus produtos no Brasil, a partir de um contrato de terceirização com a canadense Celestica.

A EMC, que faturou 13,2 bilhões de dólares em todo o mundo em 2007, não revelou investimentos no Brasil, já que a Celestica produzirá cada equipamento a partir dos pedidos dos clientes.

A empresa, entretanto, espera ampliar sua presença entre as pequenas e médias empresas a partir da produção local, já que espera redução no preço final dos equipamentos e maior rapidez nas entregas.

“Os benefícios da produção local serão a disponibilidade mais rápida e a oferta de produtos a preços mais competitivos”, afirmou Joel Schwartz, vice-presidente mundial da EMC, em encontro com a imprensa.

Com a inclusão dos equipamentos na Lei de Informática, a companhia passa a se beneficiar de incentivos fiscais, como isenção de PIS e Cofins, na produção local. Em contrapartida, ela passa a ter de investir cerca de 5 por cento de sua receita bruta em pesquisa e desenvolvimento no país.

Para atender à exigência, a EMC também anunciou parceria com o Instituto de Pesquisas Eldorado, de Campinas (SP), para desenvolver produtos que possam ser usados pela EMC de forma global. De acordo com a companhia, os focos das pesquisas serão softwares de código aberto e de gerenciamento de recursos.

Neste primeiro momento, a Celestica produzirá os quatro modelos da família Clariion de armazenamento de dados da EMC em sua fábrica de Hortolândia (SP), onde também atende clientes como Palm, Kennex e HTC. A Celestica já produz equipamentos de forma terceirizada para a EMC em outros países há cerca de 14 anos.

Segundo Schwartz, “certamente está nos planos” da companhia ampliar a linha de produtos fabricados no Brasil, mas ainda não há um prazo para isso acontecer. A produção local atenderá somente o mercado brasileiro neste momento, de acordo com ele.

A partir da fabricação nacional, a EMC espera que os equipamentos cheguem ao mercado com preço cerca de 10 por cento menor. Segundo Carlos Cunha, diretor-geral da EMC no Brasil, a expectativa da empresa é “dobrar, em um ano, o volume de vendas em unidades no país”, volume que, entretanto, também não é revelado.

“O principal objetivo (da produção local) não foi reduzir preço, mas desenvolver know how no Brasil”, destacou Cunha. Segundo ele, no entanto, a redução no preço e a rapidez para chegar ao mercado vão permitir que a empresa se torne mais acessível aos pequenos e médios empreendimentos.

“Meu próximo projeto é trazer a empresa de leasing do grupo ao Brasil para facilitar a aquisição dos equipamentos, a exemplo do que já fazem empresas como a HP”, disse Cunha.

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