Avanço nas classes de menor renda afeta balanço das celulares

terça-feira, 6 de maio de 2008 13:52 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - O alerta foi dado pela TIM, mas as empresas de telefonia móvel, sem exceção, sofreram quedas na receita por usuário do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2007.

Uma redução na comparação com o último trimestre do ano poderia ser explicada pela sazonalidade, já que nos primeiros meses do ano há muitos assinantes em férias e o número de dias úteis costuma ser menor. Mas não foi o que se viu, já que a queda é percebida na comparação com o mesmo período de 2007.

A razão, para analistas que acompanham o setor, é a venda mais acentuada para as classes de menor poder aquisitivo, que geram uma receita menor.

A compensação para esse movimento, na medida em que as operadoras disputam os assinantes que ainda não têm telefone móvel, pode estar na receita com serviços de dados, como o acesso à Internet, que só se acentuará, entretanto, com a popularização da terceira geração (3G), algo só esperado para começar em 2009.

No caso da TIM, a queda da receita média por usuário (Arpu na sigla em inglês) do primeiro trimestre sobre o mesmo período de 2007 foi de 14,2 por cento, para 29,50 reais mensais, depois de uma estratégia agressiva em promoções e a consequente penetração na população de baixa renda.

O diretor de relações com investidores da Oi, José Luis Salazar, admitiu, em teleconferência com analistas, que no varejo, "a partir do momento em que a empresa vem mergulhando na pirâmide e captando cliente das classes menos abonadas, ganha um custo maior de bad debt", afirmou, referindo-se à possibilidade da empresa ganhar maus pagadores com a estratégia.

A provisão para devedores duvidosos (PDD) da Oi saltou 55,2 por cento nos três primeiros meses do ano em relação a igual intervalo de 2007, para 222 milhões de reais. Enquanto isso, na TIM, que divulgou números nesta terça-feira, o salto foi de 57 por cento, para 271,7 milhões de reais.

De acordo com o balanço da Oi, o aumento reflete uma política de crédito mais flexível adotada a partir do segundo trimestre do ano passado, estratégia que também foi adotada pela TIM segundo os dados divulgados nesta terça-feira. A Oi também percebeu um efeito que ela não espera ver nos demais trimestres, que foi o atraso em alguns pagamentos de governos estaduais e municipais pela demora na aprovação dos orçamentos.   Continuação...