Robôs podem ocupar postos de trabalho de 3,5 mi pessoas no Japão

terça-feira, 8 de abril de 2008 11:29 BRT
 

TÓQUIO (Reuters) - Os robôs podem ocupar os postos de trabalho de 3,5 milhões de pessoas no Japão até 2025, afirmou um grupo de especialistas, colocando que isso pode ajudar a evitar a falta de mão-de-obra que pode se reduzir juntamente com a população do país.

Segundo estimativas do governo, até 2030 o país enfrentará uma queda de 16 por cento no tamanho da sua força de trabalho conforme cresce o número de idosos, o que gera temores acerca de quem trabalhará num país que não está acostumado nem se mostra disposto a aceitar a imigração em grande escala.

Um grupo de especialistas, a Machine Industry Memorial Foundation, afirma que os robôs podem ajudar a preencher lacunas.

Em vez de cada robô substituir uma pessoa, a fundação sugere que as máquinas podem ajudar as pessoas terem tempo para se focarem em coisas mais importantes.

O Japão pode economizar 2,1 trilhões de ienes (21 bilhões de dólares) em seguro de idosos em 2025 se usarem robôs que controlem a saúde dos mais velhos para que estes não dependam de cuidado médico humano, apontou a fundação.

Os acompanhantes podem economizar mais de uma hora por dia se os robôs os ajudarem a cuidar das crianças, idosos e nos trabalhos domésticos, acrescentou. Entre as tarefas que podem ser desempenhadas estão a leitura de livros em voz alta ou ajudar o banho dos idosos.

"Os mais velhos estão atrasando suas aposentadorias até completarem 65 anos, creches estão sendo criadas para que as mulheres possam trabalhar durante o dia e há um movimento para aumentar a cota de trabalhadores estrangeiros. Mas nada disso pode combater a redução da força de trabalho", afirmou Takao Kobayashi, que trabalhou no estudo.

"Os robôs são importantes porque podem ajudar de alguma forma a aliviar a falta de mão-de-obra".

A taxa atual de fertilidade no Japão é de 1,3 filhos por mulher, bem abaixo do nível necessário para se manter a população. O governo calcula que, até 2025, cerca de 40 por cento da população terá mais de 65 anos, levantando a questão de como o país fará para tomar conta de seus numerosos idosos.

Kobayashi apontou que ainda é preciso mudar para que os robôs tenham um grande impacto na força de trabalho. "Existem os preços altos, as melhoras necessárias nas funções dos robôs, e também a mentalidade das pessoas, elas precisam ter vontade de usar os robôs".

(Reportagem de Yoko Kubota)